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Universidades do Reino Unido procuram parcerias em Portugal

Nova era na cooperação com instituições de ensino superior portuguesas vai assentar em parcerias, para se reaproximarem da União Europeia. País regressa ao Erasmus+ já em 2027.

Responsáveis de nove universidades britânicas, entre as quais a London School of Economics (LSE), o King’s College London e a St. George’s University of London aterraram, esta semana, em Lisboa, com um substantivo e um adjetivo na bagagem – parceria estratégica. Estas palavras são a chave da nova estratégia de educação internacional do Reino Unido que passa pela reaproximação à União Europeia.
A missão dá início a uma nova era na relação com o antigo aliado do reino: Portugal, país membro da UE, e as suas instituições de ensino superior.
“É a oportunidade de juntar as pessoas certas e criar parcerias que permitam definir ações que realmente farão a diferença e nos permitirão avançar”, diz ao Jornal Económico (JE) Calum Hebron, perito do Higher Education, Foreign, Commonwealth and Development Office.
A missão, organizada pela Embaixada Britânica, em colaboração com o British Council, é a primeira à luz da nova estratégia no pós-Brexit. Na residência oficial da embaixadora Lisa Bandari, em Lisboa, longe do olhar do transeunte, Richard Fleming, diretor nacional do British Council, aponta ao JE a direção do novo caminho que se está a construir: “Estamos a mudar o nosso modelo de negócio em termos do ensino de inglês. A grande aposta são agora as parcerias, nomeadamente as parcerias com escolas e instituições de Ensino Superior, mas todo o tipo de parcerias desde que alinhadas com a nossa missão e os nossos valores que são construir pontes entre culturas através da educação”.  
O British Council mantém o seu papel de líder na projeção do soft power britânico, no pós-Brexit. A instituição ganha, no entanto, um novo foco na organização de missões e comitivas institucionais, como esta, que são agora um instrumento fundamental na operacionalização da estratégia, e na criação de parcerias locais, saindo da sua esfera clássica de simplesmente ensinar inglês.  
As relações entre o Reino Unido e a União Europeia pautam-se por progressos, incluindo o anúncio, recente, do regresso do país ao programa Erasmus+, já em 2027. Marion Greenhalgh, director of Innovation and Implementation da Coventry University, joga tudo nesta reaproximação. “Os portugueses eram a alma do grupo e nós temos grupos bastante internacionais. Gostaríamos de os ter de volta”, diz ao JE. A Universidade de Coventry aposta fortemente num modelo de ensino  flexível e virado para a empregabilidade. O ensino online é outro dos seus pontos fortes. “Estamos particularmente interessados no “top-up degrees”, concretiza Marion Greenhalgh sobre Portugal.
A mobilidade académica, a cooperação internacional, a investigação conjunta e a inovação estiveram na mesa dos encontros bilaterais. A reputada London School of Economics, por sua vez, apontou a mira ao ecossistema empreendedor nacional em florescimento. Taylor Wong, senior International Strategy manager, reafirmou a ligação à Universidade Católica e à Nova SBE através de parcerias em projetos. Demais, expressou interesse em retratar o ensino superior português e as potencialidades aqui presentes.
O encontro, que deixou de lado o aspeto político e juntou cara a cara as instituições que no dia a dia transmitem conhecimento e impulsionam a investigação também colheu encómios do lado português. “Existem duas universidades com potencialidades de colaboração futura”, revelou Teresa Costa, da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, ao JE. José Conchinha, das Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa, focou-se particularmente na mobilidade, agora que o Reino Unido regressa ao Erasmus+, e Maria da Conceição e Henrique Palumbo regressaram à Universidade do Minho com todo um manancial de informação.
O balanço sintetiza-se num “interesse claro” em estabelecer colaborações e o encontro é apontado como um passo fundamental nessa direção.
Embora a cooperação académica entre as instituições lusas e britânicos nunca tenha acabado de facto, como lembrou a secretária de Estado do Ensino Superior, Cláudia Sarrico, este é o momento para voltar a clicar no botão de pausa que tinha sido acionado por via do Brexit. Agora com novo fôlego.

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