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TelCables chega a Portugal e quer faturar 15 milhões

A subsidiária europeia da Angola Cables acaba de instalar a base em Lisboa, para aproveitar o investimento na nuvem e em centros de dados.

A entrada da TelCables Europe em Portugal acontece num momento decisivo em que o país se consolida como um dos principais hubs digitais e de cabos submarinos da Europa, reforçando o seu papel estratégico como gateway transatlântico entre a Europa, África e Américas. A empresa, que opera uma rede global com mais de 80 mil quilómetros de cabos submarinos e acesso a mais de mil data centers e 400 clouds, posiciona-se como o maior operador lusófono do mundo e o 23.º operador de Internet a nível global.
Neste contexto, a TelCables surge bem posicionada para captar o crescimento digital nacional, tirando partido da sua infraestrutura de rede escalável de 100 Gbps de ultrabaixa latência e da sua presença estratégica em Portugal, que se afirma como porta de entrada atlântica para fluxos de dados entre Europa, Américas e África. “De forma realista, a TelCables Europe prevê atingir 15 milhões de euros em receitas até 2027, com crescimento sustentado em função da aquisição de contratos corporativos, parcerias estratégicas e integração plena nas redes globais”, diz Samuel Carvalho, o CEO da TelCables Europe.
Para o gestor há uma necessidade “urgente de Portugal intensificar e fornecer as infraestruturas necessárias para construir e operar instalações capazes de proporcionar um mega campus de IA”. Samuel Carvalho afirmou ainda que já “estão a ser tomadas medidas nesse sentido”, prevendo-se um substancial crescimento dos investimentos neste setor em Portugal, passando do 947 milhões de euros em 2024 para cerca de 3,1 mil milhões até 2030. No seu conjunto, o setor deverá registar um investimento total de 13 mil milhões de euros até 2031, contribuindo com 3,7 mil milhões de euros para o PIB nacional.
Um dos exemplos em destaque é o projeto da Start Campus, que anunciou planos para investir cerca de 8,5 mil milhões de euros no seu centro de dados de Sines nos próximos cinco anos, de modo a satisfazer a crescente procura por parte das principais empresas tecnológicas e de Inteligência Artificial. Em conjunto com a Nscale, a empresa está a preparar-se para a implementação da plataforma Nvidia GB300 NVL72 no centro de dados SIN01. Para concretizar esta visão, será necessário que outros players da indústria, em Portugal e na Europa, procurem parcerias e colaborarem entre si.
“Estamos num momento crucial para o desenvolvimento da futura arquitetura de IA e das infraestruturas necessárias. A consolidação do nosso país como hub digital transatlântico passa inevitavelmente pela promoção da IA e das suas competências digitais. Neste âmbito, a estratégia AI Portugal 2030 assume particular importância, através do desenvolvimento de talentos, projetos de investigação em Inteligência Artificial e CoLABs especializados em cibersegurança, Edge Computing e Processamento de Linguagem Natural, sendo também crucial o lançamento de iniciativas portuguesas de LLM e AI Factory no âmbito do Plano de Ação 2025-2026 da Estratégia Nacional Digital”, sublinhou o CEO da TelCables Europe. A empresa, alimentada pela rede da Angola Cables, está a desenvolver parcerias com players de relevo, como a euNeteworks e a MEO Solutions, para criar super corredores digitais através da Europa e do Atlântico Sul, para o trânsito de dados e conteúdos entre Portugal, América do Sul e EUA, utilizando a rede de cabos submarinos da Angola Cables. “Até 2030, Portugal será capaz de consolidar o seu papel como hub atlântico preparado para a IA, assegurando a sua autonomia digital através de infraestruturas resilientes, capacidade de hiperescala verde e quadros regulatórios avançados, ligando Europa, África e Américas, e salvaguardando a soberania dos dados”, concluiu Samuel Carvalho.

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