Di-lo na que terá sido a sua última carta aos acionistas escrita enquanto CEO, em que deixa lições, mais de vida do que de negócio, ou para os dois, que a primeira enforma o segundo.
A primeira lição é sobre o governo da sociedade: liderança é preparação paciente, não improviso. Greg Abel suceder-lhe-á no cargo, a 1 de janeiro de 2026, e Buffett deseja que a Berkshire tenha “poucos CEO no próximo século”, sinal de continuidade, mesmo em anos maus em bolsa. A segunda é sobre riqueza e legado. Vai doar 1,3 mil milhões de dólares (cerca de 1,2 mil milhões de euros) em ações a fundações, lembrando que planeia doar quase toda a sua fortuna. O dinheiro, sugere, é uma ferramenta de impacto, não um troféu pessoal.
Dirige-se, depois, aos conselhos de administração avisando-os de que as regras de transparência salarial alimentam comparações, inflacionam remunerações e reforçam a inveja. Quando a “inveja e ganância andam de mãos dadas”, a destruição de valor surge rapidamente.
Recomenda a todos que não dramatizem os erros; aprendam com eles e sigam em frente.
Encerra sublinhando o que é ser grande: não é acumular dinheiro ou poder, é praticar a gentileza, “custa zero e vale muito”.
Aos 95 anos, com boa saúde, apesar da menor mobilidade, o Oráculo de Omaha retira-se. “As the British would say, I’m going quiet [Como diriam os britânicos, vou em silêncio]”, escreveu Buffett, mas não se afasta. Continuará como chairman e comunicará anualmente com os acionistas, por carta, no dia de Ação de Graças. A tradição mantém-se.
As últimas lições de Warren Buffett como CEO
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Warren Buffett vai deixar de escrever o relatório anual da Berkshire Hathaway e de falar horas na assembleia geral da empresa que, em 60 anos, se transformou na nona maior dos Estados Unidos, só ultrapassada pelas gigantes tecnológicas.