As ruas das principais cidades alemãs têm um toque português de que poucos se apercebem ao passar, mas ele lá está, fiável e resistente, a alumiar quem passa — os postes de iluminação foram pensados e fabricados em Portugal e por ali foram plantados. Claro, poderia apenas tratar-se de uma pequena operação portuguesa num negócio dominado por gigantes europeus, como se passa em tantos outros setores. Mas não é assim – é precisamente o contrário.
A Metalogalva, a empresa que assina a proeza, é uma companhia portuguesa fundada em 1971 com sede na Trofa, e lidera este segmento do mercado alemão com uma impressionante quota de 70% — é realmente muito elevada a probabilidade de um qualquer poste de iluminação em Berlim, Munique ou Hamburgo ser fabricado em Portugal.
O que a Metalogalva conseguiu exige competência, inovação e investimento — mas pede ainda outra coisa: apesar do negócio correr bem, mostrar-se em novos mercados e a mais clientes continua a ser determinante. Na verdade, é uma rotina obrigatória. O roteiro das feiras internacionais, a que se juntam missões externas organizadas pela associação do setor (AIMMAP), pode até não parecer uma forma muito inventiva de desenvolver o negócio, mas a verdade é que o método funciona e tem provas dadas.
Ontem, por exemplo, terminou a principal feira de metalomecânica da Suécia, a Elmia Subcontractor, que decorreu em Jönköpin, a 160 quilómetros de Gotemburgo. Estiveram lá mais de duas dezenas de empresas nacionais, todas eles movidas pelo facto de esta ser a maior feira industrial do Norte da Europa, o que se traduz na oportunidade de estabelecer pontes com o mercado escandinavo.
“É uma zona importante para nós, mas exige perseverança. As coisas não acontecem de um dia para o outro. Os suecos são desconfiados. Antes de fazerem um negócio vão a Portugal ver as empresas, por vezes até repetem a viagem para ter mesmo a certeza do que estão a fazer. Também por isso vir aqui é importante”, diz Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP.
Um dos negócios que já se concretizou no passado e que promete sempre novos desenvolvimentos é, digamos, singular dos países nórdicos. Cavalos selvagens são comuns por aqui, mas o facto de serem selvagens não significa que não tenham de usar uma espécie de ferraduras — “luvas”, chama-lhes Rafael Campos Pereira —, e é uma empresa portuguesa que as está a fazer, revelando a necessária capacidade de engenho e adaptação para conseguir o negócio.”
Automóveis, aviões, comboios, equipamentos de defesa e segurança, navios, os tais postes de iluminação, o setor nacional da metalurgia e da metalomecânica tem soluções para todas estas áreas. Bosch, Siemens, Bombardier, Scania, Atlas Copco, entre outros, são todos clientes, o que significa que este é o maior cluster industrial nacional, com um volume de negócios de 39,9 mil milhões de euros (2023). No ano passado, representou 12,5% do PIB e mais de 30% das exportações de bens.
As feiras internacionais são, portanto, uma constante na vida destas empresas, porque o mercado interno é manifestamente insuficiente. A feira de Madrid — que decorreu há uma semana e onde estiveram mais de 60 empresas —, as de Barcelona, Vigo, Bilbao, Paris e Lyon (alternam), Hannover, Estugarda, Nuremberga e Utrecht são outros pontos de passagem obrigatórios. São cerca de dez por ano as viagens. Por vezes, Chicago também é incluída.
As missões à China, Arábia Saudita, Marrocos e México – as mais recentes – complementam o trabalho das feiras, alargando os horizontes das empresas para outras latitudes. “Em 2026 tentaremos explorar oportunidades na Índia e no Paquistão”, adianta o vice-presidente da AIMMAP, preocupado com as dificuldades — regras e mais regras — do contexto português e europeu ameaçarem o dinamismo do setor.
Setor do metal anda pelo mundo à caça de negócio
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As feiras internacionais são uma constante na vida das empresas de metalurgia e metalomecânica. Esta semana, estiveram na Suécia. Na anterior, o destino foi Madrid.