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Santander e BPI com trajetórias distintas em 2025

O Santander Totta registou lucros de 963,8 milhões com uma subida de 0,5%. O BPI, em Portugal, viu os lucros caírem 4% para 489 milhões. Na rentabilidade o Santander dispara.

ão ambos bancos portugueses, geridos por portugueses, e pertencem aos maiores bancos espanhóis (o Santander e o CaixaBank). Mas a semelhança acaba aí. A trajetória dos dois bancos é muito diferente.
O Santander Totta quer ser o mais rentável e não tem ambições de crescimento em dimensão em Portugal. O BPI sabe que as aquisições são o caminho mais curto para crescer quota de mercado. Não foi por acaso que o CaixaBank analisou o Novobanco.
O Santander Totta, em 2025, “manteve-se como o banco mais rentável em Portugal, o mais rentável dentro do Grupo Santander e um dos mais rentáveis na Europa” salientou Pedro Castro e Almeida que apresentou, em conferência de imprensa, os seus últimos resultados enquanto CEO do Banco Santander Totta, já que a partir de dia 1 de março será Isabel Guerreiro a liderar o banco.
A rentabilidade medida pelo RoTE (rentabilidade dos capitais próprios tangíveis) do Santander atingiu 31,8%, o que compara com 25,9% um ano antes.
Já o BPI, reportou uma rentabilidade dos capitais próprios tangíveis recorrente em Portugal de 15,6%, o que compara com 18,2% em 2024. O BPI teve lucros em Portugal de 489 milhões ( a caírem 4%). A queda dos resultados traduz a redução dos proveitos com juros decorrente do repricing do crédito com indexantes mais baixos, segundo o banco.
O Santander Totta reportou lucros de 963,8 milhões de euros em 2025 a subirem ligeiramente 0,5% face a 2024. Isto apesar de no ano passado o banco ter registado uma queda da margem financeira de 12,8% para 1,37 mil milhões de euros, embora a revelar uma tendência de subida já no quarto trimestre. Mas compensou com uma subida das comissões de 7,1% (para 484,3 milhões), devido ao crescimento de volumes, explicou a administração.
No BPI também houve uma queda da margem financeira de 10% para 875 milhões de euros (no 4º trimestre regista uma subida, mas ligeira). No entanto o aumento dos volumes não compensou a queda das taxas de juros. Por outro lado, no banco liderado por João Pedro Oliveira e Costa, a receita de comissões caiu 6% para 307 milhões de euros.
O CEO do BPI diz que tem uma estratégia de crescimento, e rejeitou que essa estratégia de crescimento da rentabilidade passe por subidas de comissões e de spreads.
Por sua vez, a futura CEO do Santander Portugal, Isabel Guerreiro referiu que “o objetivo é continuar a trabalhar de forma que possamos reduzir ou mitigar o impacto das quebras de receitas”, quando questionada sobre a estratégia para manter a rentabilidade nos atuais níveis.
O produto bancário, do Santander Portugal caiu 7,5% para 1,89 mil milhões de euros, o que inclui os encargos com os Fundos de Resolução e de Garantia de Depósitos. No BPI o produto bancário do BPI caiu 8% para 1.225 milhões de euros.
Os custos do Santander cresceram +0,6% para 530,7 milhões de euros, com a ajuda da subida dos custos com pessoal (+3,8%). Por isso o rácio de eficiência piorou 2,3 pontos percentuais para 28,0%.
O CEO do BPI falou em custos controlados. Os custos caíram 8% para 509 milhões de euros, apesar da subida de 5% dos custos com pessoal. Mas os custos de estrutura recorrentes subiram 4% para 508,4 milhões. Assim, o cost-to-income em Portugal agravou-se para 41% (era 37% em 2024).
No crédito o BPI registou um aumento de 7% para 33,3 mil milhões.
No Santander o crédito total a clientes cresceu +7,5% para 54,1 mil milhões. Ambos com forte ajuda do crédito à habitação, sobretudo no segmento jovem.
Ambos distribuem elevados dividendos à casa-mãe. No BPI será 489 milhões e no Santander supera os 867 milhões.

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