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Ascendis Pharma vem para Portugal tratar doença rara endócrina

A empresa já está a aplicar o tratamento em Espanha, Aústria, Alemanha e EUA. Em Portugal poderá ajudar mais de 3.000 doentes, mas aguarda aprovação do Infarmed.

A Ascendis Pharma, biofarmacêutica global, vai entrar no mercado português para introduzir no Serviço Nacional de Saúde um tratamento inovador para uma doença endócrina rara que afeta milhares de pessoas no país. A prioridade passa pelo hipoparatireoidismo crónico, uma patologia rara que provoca baixos níveis de cálcio e altos níveis de fósforo no sangue e que, até agora, não dispõe de terapêutica da hormona em falta em Portugal.
Fundada em 2007 e com sede em Copenhaga, Dinamarca, a empresa está cotada em Bolsa e conta com mais de 1100 colaboradores em todo o mundo, por isso tem a investigação distribuída por vários países, tendo criado uma plataforma tecnológica inovadora para o desenvolvimento de medicamentos, a TransCon.
Sérgio Alves, Diretor de Operações da Ascendis Pharma Portugal, explica que esta tecnologia representa uma verdadeira terapêutica de substituição hormonal no hipoparatiroidismo em contraste com os tratamentos atualmente disponíveis, baseados sobretudo na administração de cálcio e vitamina D.
A decisão de avançar para Portugal está ligada à qualidade do sistema de saúde e ao reconhecimento internacional da comunidade médica e científica nacional, sobretudo na área da endocrinologia. “A operação portuguesa integra-se numa estratégia ibérica, com equipa partilhada entre Portugal e Espanha, mas com presença local para garantir o conhecimento das especificidades do mercado nacional”, diz Nyssa Noyola, General Manager da Ascendis Portugal para Portugal e Espanha.
Portugal no radar europeu
A responsável diz ainda que Portugal é visto como um parceiro estratégico, com profissionais altamente qualificados e uma forte tradição clínica e académica. A empresa já iniciou contactos com o Infarmed e outras entidades reguladoras, estando o processo de avaliação e negociação em curso.
Embora o hipoparatireoidismo crónico seja classificado como doença rara, estima-se que existam cerca de 3000 pessoas afetadas em Portugal. Segundo dados partilhados pela empresa, entre 20% e 30% destes doentes não estão adequadamente controlados com a terapêutica convencional, apresentando impacto significativo na qualidade de vida, na capacidade laboral e no bem-estar económico.
Estudos realizados noutros países indicam que muitos destes doentes enfrentam desemprego ou limitações severas no dia a dia, precisamente por não terem acesso a uma terapêutica que substitua a hormona em falta.

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