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Calor, teletrabalho e a época baixa que deixou de o ser

Agência Abreu, Top Atlântico e Viagens El Corte Inglés constatam o crescimento do mercado nos meses de inverno para destinos de calor por parte dos portugueses.

É uma tendência que tem vindo a aquecer nos últimos anos. Os portugueses procuram destinos de calor nos meses mais frios do ano, e os destinos de eleição não fogem muito ao esperado: Brasil, República Dominicana, Cuba e Cabo Verde. O JE falou com algumas das principais agências de viagens nacionais, que analisaram a evolução deste mercado “relevante”.
“É uma tendência que sempre existiu, mas tem, de facto, vindo a ganhar expressão ao longo dos últimos anos”, diz ao JE Pedro Quintela, diretor-geral de vendas da Agência Abreu, apontando para aquele que é “um segmento estratégico dentro da procura turística dos portugueses”.
Este mercado é formado por “clientes que procuram fugir ao frio, privilegiando destinos de sol e calor, maior tranquilidade, experiências diferenciadoras” e, também, “em muitos casos, uma melhor relação qualidade-preço face à época alta”, acrescentou.
Também a Top Atlântico, empresa do grupo Wamos Portugal, tem testemunhado o crescimento desse mercado: “a tendência é claramente crescente, sobretudo desde 2022”. “Mas é uma tendência geral, pois há também mais portugueses a viajar nos meses de verão”, explica Margarida Blattmann, diretora de Marketing e Comunicação da Wamos. Mas há um dado que importa referir: “o conceito de verão tornou-se mais lato e já não se cinge apenas aos típicos julho e agosto”. Hoje, as viagens de verão decorrem entre maio e meados de outubro, explica, “fruto do alargamento das operações diretas e voos charter que tornam mais acessíveis, em termos de ligação aérea e preço, destinos atrativos e com clima quente”.
Também de acordo com a Viagens El Corte Inglés “existe um aumento do interesse por viagens no inverno”. Contudo, regista como “principais destinos as capitais da Europa, algum turismo no interior em Portugal e alguma procura também pelo Brasil e Caraíbas”.
Assim, Brasil e Caraíbas - Riviera Maya (México), República Dominicana e Cuba - figuram entre os destinos mais procurados nesta altura do ano, concordam a Agência Abreu, a Top Atlântico e a Viagem El Corte Inglés. Cabo Verde, sem surpresas, e Dubai (nos Emirados Árabes Unidos), completam a lista. De acordo com a Top Atlântico, Cabo Verde regista um forte crescimento e elevada fidelização. E o Brasil “voltou às preferências, sobretudo Nordeste”. “Há também uma procura crescente por destinos mais exóticos e de longa distância, como as Maldivas, Maurícia, Tailândia e Indonésia”, revela Pedro Quintela.
De acordo com a Top Atlântico, concentram uma “parte significativa” da procura entre novembro e março destinos de longo curso e experiência como a Tailândia, Vietname, Indonésia, Japão – cada vez mais evidente durante o inverno europeu –, bem como os chamados destinos de inverno “ativo”, entre os quais Canadá, Lapónia e Islândia. “O inverno deixou de ser “época baixa” para uma parte relevante de viajantes portugueses, sobretudo nos segmentos de médio alto e alto rendimento e com maior ênfase nas faixas etárias 55+ com filhos maiores ou já “empty nesters”, analisa. De acordo com o Nacional de Estatística (INE), cerca de 30% das viagens ao estrangeiro dos residentes acontecem fora da época alta de verão, nomeadamente no primeiro trimestre e nos dois últimos meses do ano.
Como se explica esta tendência? Além da “fuga ao frio europeu”, a “maior flexibilidade laboral”, a “procura de viagens mais longas e menos massificadas, fora da época alta” e a “priorização da viagem no orçamento das famílias”, analisa a responsável da Top Atlântico.
De acordo com o responsável da Abreu, que em outubro/novembro realiza a Expo Abreu, onde aferem a “procura significativa por destinos de calor” nos meses de inverno, “os portugueses estão cada vez mais recetivos a viajar fora da época tradicional de verão, valorizando menos a sazonalidade e mais a experiência”.

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