Skip to main content

Sagres produzida com energia 100% renovável até 2030

Neutralidade carbónica na produção da cervejeira será atingida até 2030. Na empresa de Vialonga, a descarbonização começou em 2017, soma 135 milhões e acaba de dar mais um passo.

Julien Haex, diretor geral da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC), a dona da Sagres e da água Luso, reafirma ao Jornal Económico (JE) a meta anteriormente apontada: “Temos a visão de ter uma Sagres que é feita sem emissões de CO2 em 2030”.
Metade do caminho está percorrido, graças a uma bomba de calor, desenvolvida em parceria com a Siemens Portugal. A inauguração, esta segunda-feira, levou à fábrica da “loura” em Vialonga, Armindo Monteiro, presidente da CIP, e Jean Barroca, secretário de Estado da Energia, entre outros rostos conhecidos.
A bomba de calor permite reduzir em metade as emissões ligadas à energia térmica. “Hoje fazemos uma redução de 50%, que é metade no objetivo de atingir a neutralidade carbónica na produção”, adianta o gestor. A redução é o equivalente a 7.381 toneladas por ano, estimando-se ganhos de eficiência energética na ordem dos 39%, face ao início do projeto.
A outra metade das emissões associadas à energia térmica será combatida com uma bateria térmica de 100 MWh. O projeto, pioneiro na indústria, combina energia solar, armazenamento térmico e eletrificação do calor e está a ser desenvolvido em parceria com a EDP e a Rondo.
A energia térmica representa cerca de dois terços da energia total consumida nas operações cervejeiras. A eletricidade garante a outra fatia e em Vialonga desde 2024 provém de fontes totalmente renováveis.
Fundada em 1934, a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas (SCC) produz, comercializa e distribui cervejas, sidras, refrigerantes e águas. Desde 2008 integra o Grupo neerlandês Heineken.
Em 2017 deu o pontapé de saída para a transição energética. Implementou medidas de eficiência energética nas unidades de produção, instalou painéis solares e reduziu os consumos de referência.
Para chegar ao ponto do caminho em que nos encontramos neste momento foram investidos 135 milhões de euros, dos quais uma fatia de 33,5 milhões foi consumida pela bomba de calor. De referir que esta solução foi cofinanciada em 8,8 milhões pelo Plano de Recuperação e Resiliência, vulgo PRR.
A área ambiental é uma das três partes dos chamados ESG (sigla para Environmental, Social e Governance, no original em inglês). Nas vertentes Social e de Goverança também há avanços.
Julien Haex refere ao JE os ganhos no campo do consumo responsável - “para nós cervejeiros é muito importante” - com a Heineken 0.0, que, adianta, continua a crescer no país. E destaca o número de mulheres em funções chave na empresa, nomeadamente ao nível de direção em que quatro dos nove elementos são do sexo feminino. No grupo Heineken existe um programa destinado a acelerar o desenvolvimento da carreira, que passa por formação numa business school suíça, ao qual as portuguesas também têm acesso.
A Central de Cervejas emprega 1.485 trabalhadores, dos quais cerca de 500 na fábrica e escritórios de Vialonga.
Em 2040 quer cortar a meta da descarbonização de toda a sua cadeia de valor e brindar ao negócio: “Acreditamos que é possível conjugar crescimento económico, com inovação e sustentabilidade”, afirma Julien Haex, para quem a prova está à vista.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico