Paulo Macedo, presidente-executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), considera que o banco do Estado vale 18 mil milhões de euros, se forem aplicados os mesmos múltiplos que o BPCE pagou pelo Novobanco ou os múltiplos a que o mercado avalia atualmente o BCP.
Macedo falava num almoço/debate organizado pela ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores e respondia a uma pergunta sobre o racional de a CGD ter vendido 85% da Fidelidade, em 2014, por mil milhões de euros, à chinesa Fosun, pretendendo agora reforçar a sua posição na seguradora, acima dos atuais 15%, para eventualmente 30%, pagando um preço superior.
O CEO do Grupo CGD não vê nos dois movimentos qualquer contradição.
“Na altura, o encaixe da venda da Fidelidade permitiu recapitalizar a Caixa, caso contrário teria de ser com dinheiro dos contribuintes”, disse, apontando para a valorização do banco desde então.
“Naquela altura estava-se a decidir sobre os 2,5 mil milhões para recapitalizar o banco e hoje, com os múltiplos que o BPCE pagou pelo Novobanco, ou com os múltiplos do BCP, a Caixa vale 18 mil milhões de euros”, enfatizou.
Recordou ainda que, quando assumiu a liderança da Caixa, em 2017, encontrou uma instituição com vários anos de prejuízos, necessidades de recapitalização e um exigente plano de reestruturação. Desde então, disse, o banco reforçou a solidez financeira, alterou o modelo de governação e melhorou a qualidade do serviço prestado aos clientes.
Ainda assim, insistiu que nenhuma organização pode acomodar-se e referiu que o aparecimento de operadores digitais como a Revolut tinha vindo aumentar a pressão competitiva sobre toda a banca, obrigando os bancos tradicionais a inovar, acelerar processos e melhorar a experiência dos clientes.
“Este ano foi talvez o último em que a Caixa teve lucros superiores aos da Revolut. Nunca mais vai acontecer”, afirmou Paulo Macedo, utilizando a fintech como exemplo da dimensão que os novos operadores digitais estão a atingir.
Para o CEO da CGD, a comparação não diminui o desempenho do banco público. Pelo contrário, sublinhou que “a Caixa tem resultados ao nível europeu”, mas serve para demonstrar que os bancos tradicionais enfrentam hoje concorrentes capazes de crescer a um ritmo muito superior.
Apesar da pressão competitiva, Paulo Macedo fez questão de destacar a posição da Caixa no mercado português. “Nós estamos a fazer cerca de 700 milhões de euros de crédito à habitação por mês, sozinhos. O que quer dizer que, em quatro meses, fizemos 2,5 mil milhões. Não há ninguém em Portugal a este nível no crédito à habitação”, afirmou, defendendo que a instituição continua a liderar um dos segmentos mais importantes da banca de retalho.
No mesmo almoço defendeu que é preciso subir os salários dos dirigentes da Administração Pública e que estes devem deixar de ter os salários dos políticos como referência. “Quando dizemos mal da Administração Pública temos de saber se estamos disponíveis para pagar mais aos dirigentes”, disse.
Caixa Geral de Depósitos vale 18 mil milhões
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As contas são de Paulo Macedo, CEO da CGD, justificadas com a aplicação dos múltiplos do Novobanco e do BCP ao banco do Estado.