A gestora da bolsa de Lisboa (e de outras sete bolsas europeias) lançou um novo programa que vai simplificar a entrada em bolsa das Pequenas e Médias Empresas (PME). O IPOgo procura reduzir a burocracia e os custos que afastam as PME europeias do mercado de capitais.
Mathieu Caron, Head of Primary Markets da Euronext, num encontro com jornalistas em Lisboa, explicou que com o IPOgo, a documentação necessária é reduzida para metade, enquanto o processo passa a ser totalmente digital.
A Euronext diz que o IPOgo pretende simplificar e acelerar o processo de entrada em bolsa das pequenas e médias empresas (PME) na Euronext Growth, com documentação simplificada, execução digital integral e maior abertura aos investidores de retalho, incluindo a opção de alocar até 100% da oferta junto de pequenos investidores (retalho).
O IPOgo está disponível por enquanto apenas em França e Itália. Mas o responsável da Euronext diz que o programa visa reduzir as barreiras de acesso aos mercados de capitais europeus e canalizar mais poupança europeia para a economia real, alinhando-se com os objetivos da União dos Poupanças e Investimentos e com as facilidades introduzidas pelo EU Listing Act.
O anúncio foi feito durante a edição de 2026 do programa de preparação IPOready, que reuniu mais de 160 empresas de 22 países (incluindo seis portuguesas) com dimensão para concretizar uma oferta pública inicial nos próximos dois anos.
A nova estrutura criada para facilitar a entrada das PME na bolsa, assenta em três pilares. O primeiro pilar é a documentação de admissão simplificada, baseada no modelo do EU Growth Prospectus previsto no Listing Act europeu que entrou em vigor a 5 de junho. Na prática, as PME deixam de ter de preparar o prospeto tradicional, um documento extenso, caro e demorado pensado para grandes operações, e passam a poder recorrer a um modelo padronizado e menos exigente, desenhado especificamente para empresas de menor dimensão.
O objetivo é encurtar significativamente o tempo necessário para a realização de um IPO por parte das PME, e eliminar, de uma vez que os custos associados à preparação de um prospeto completo que chegam a inviabilizar IPO de empresas mais pequenas.
O segundo pilar é a execução digital de ponta a ponta através da infraestrutura proprietária da Euronext. Isto significa que todo o processo de admissão, da submissão da documentação à distribuição da oferta, passa a decorrer numa plataforma digital integrada, eliminando parte significativa dos circuitos manuais e presenciais que tornam o processo mais lento e oneroso. Esta componente está, no entanto, disponível apenas em França e em Itália, os dois mercados onde a Euronext já dispõe desta infraestrutura tecnológica, sem prazo anunciado para a extensão aos restantes países, incluindo Portugal.
O terceiro pilar é a possibilidade de abrir as ofertas iniciais a investidores de retalho, incluindo a opção de alocar até 100% da oferta a pequenos investidores, como já sucede na bolsa italiana gerida pela Euronext, no caso das empresas que pretendam captar até 12 milhões de euros e estejam domiciliadas em França. Esta medida inverte a lógica tradicional das Ofertas Públicas Iniciais, em que os investidores de retalho ficam habitualmente remetidos a uma fatia residual da oferta, com a parte dominante reservada a fundos e institucionais. A Euronext fundamenta esta opção no crescimento do peso do retalho nos volumes de negociação do Euronext Growth, que em 2025 representou cerca de um terço do total transacionado, o valor mais alto desde 2021.
Euronext corta burocracia e custos para facilitar entrada de PME na bolsa
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A Euronext lançou o IPOgo para reduzir a burocracia e os custos que afastam as pequenas e médias empresas europeias dos mercados de capitais.