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Metais perderam brilho e estão à mercê da economia e do dólar

O fulgor de 2025 esbateu-se. Ouro, prata, alumínio desvalorizam desde o início do ano. Só o cobre consegue valorizar-se. Os metais estão à mercê da economia e do dólar, como antes.

As perspetivas relativas ao crescimento económico e o dólar serão factores de relevo na evolução dos metais no futuro próximo, diz o Commodity Desk Strategist do BNP Paribas, Jason Ying, ao Jornal Económico (JE). Factores ligados à oferta e à procura estão a condicionar a performance destas matérias-primas este ano, depois do brilho evidenciado em 2025.
A título de exemplo o ouro desce 1,6% desde o início do ano face à valorização de 26% nos últimos 12 meses. Este atingiu um máximo de 5.608 euros por onça no final de janeiro. Desde aí caiu 24%. A prata quebra 5,5% e sobe 84,8% nos mesmos espaços de tempo. Face ao máximo de 121 dólares por onça de janeiro esta matéria-prima desvaloriza 44%. O alumínio desce 0,3% e sobe 4,3% desde o início do ano e nos últimos 12 meses. A contrariar este sentimento de desvalorização está o cobre. Desde o início do ano soma uma subida de 12% e nos último ano está a valorizar 32,5%.
O Commodity Desk Strategist do BNP Paribas, Jason Ying, salienta, ao JE, os motivos que estão a explicar a performance dos metais.
Jason Ying refere que “a revisão em baixa” das expectativas de crescimento económico tem “exercido pressão” sobre os preços dos metais, em conjunto com as preocupações relacionadas com a inflação, que “têm impulsionado” a valorização do dólar norte-americano.
“Adicionalmente, o posicionamento e o interesse especulativo dos investidores têm-se deslocado dos metais para a energia ao longo deste ano”, acrescentou Jason Ying.
O comportamento dos metais tem estado ligado também a factores da oferta e da procura, diz o economista-chefe da Coface, Bruno de Moura Fernandes, ao JE.
Ao nível da oferta o abastecimento de minério de cobre e estanho foi “perturbado por atrasos” no início da produção de minas, “interrupções” na produção de certas instalações mineiras (RDC) e movimentos sociais (Chile) em 2025.
“A empresa chilena Codelco, um dos líderes da produção mundial de cobre, apresenta níveis de produção historicamente baixos (em 2025, 20% inferiores aos pré-pandemia)”, explica Bruno de Moura Fernandes.
Para metais como o alumínio e o níquel a explicação está em factores como as quotas de produção estabelecidas pela China e pela Indonésia que “limitaram” a oferta. Bruno de Moura Fernandes refere que estes diferentes obstáculos “mantêm-se” em 2026.
“No que diz respeito ao alumínio, o encerramento do Estreito de Ormuz agravou as restrições de abastecimento”, explica.
“Os países do Golfo representam 8% da produção mundial de alumínio, sendo a maior parte exportada. Estima-se, de forma aproximada, que cada mês de encerramento do Estreito de Ormuz priva os mercados internacionais de 400 a 500 mil toneladas de alumínio primário (refinado). Além disso, as medidas de restrições comerciais (Estados Unidos, China, etc.) (ddd, quotas, restrições à exportação) contribuem para o aperto global da oferta”, descreve o economista-chefe da Coface.
Bruno de Moura Fernandes diz que a procura “mantém-se relativamente sustentada” à escala mundial. “No que diz respeito ao cobre, ao alumínio e ao níquel em particular, o crescimento da procura a mais longo prazo será impulsionado por novas utilizações (transição energética, digital). As tensões geopolíticas e a relativa corrida ao armamento também contribuem para aumentar a procura de metais”, sublinha.

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