Acossada pela concorrência da Anthropic, da Google e das empresas chinesas, com o seu CEO, Sam Altman, contestado na justiça por Elon Musk, a OpenAI, dona do ChatGPT, ainda líder neste mercado, avançou para a discussão de políticas públicas para governar a inteligência artificial (IA) e os seus impactos na sociedade, do trabalho ao sistema fiscal.
Está tudo num documento de 13 páginas intitulado “política Industrial para a Era da Inteligência: ideias para manter as pessoas”, tornado público esta semana, que pretende ser o rastilho aceso que provocará o debate.
“Em apenas alguns anos, a IA evoluiu de sistemas capazes de realizar tarefas rápidas e específicas para modelos que podem executar tarefas gerais que antes demoravam horas a serem realizadas por pessoas. Agora, estamos a iniciar uma transição para a superinteligência: sistemas de IA capazes de superar os humanos mais inteligentes, mesmo quando auxiliados por IA. Ninguém sabe exatamente como se desenrolará esta transição”, explica a empresa. “Acreditamos que devemos conduzi-la através de um processo democrático que dê às pessoas o poder real de moldar o futuro da IA que desejam, e preparar-nos para uma gama de resultados possíveis, ao mesmo tempo que desenvolvemos a capacidade de adaptação”, acrescenta.
Depois, Sam Altman explicou à Axios que a superinteligência artificial está tão próxima, é tão surpreendente, tão disruptiva que os Estados Unidos precisam de um novo contrato social, ao nível do que foi a Era Progressista, no início do século XX, ou do New Deal, durante a Grande Depressão.
A tecnologia vai reconfigurar o trabalho, a produção e a distribuição de riqueza, exigindo uma resposta política mais ambiciosa do que a aplicada em anteriores revoluções tecnológicas.
Por isso, o debate, que deve ser geral e longe de ser circunscrito aos Estados Unidos.
“Devia ser a discussão política número um de todos nós e tenho-me surpreendido que até agora não seja”, diz ao Jornal Económico (JE) Pedro Santa Clara, professor catedrático da NovaSBE e fundador da Escola42.
“É importante existir um debate profundo sobre os impactos societais da IA e a forma como vai modificar as cadeias de valor”, reforça Arlindo Oliveira, professor catedrático e antigo presidente do Instituto Superior Técnico.
“Países como a China e o Japão definiram estratégias claras para endereçar os impactos económicos da IA e outras tecnologias. Nos Estados Unidos, a capacidade tecnológica das grandes empresas da área acaba por definir, por si só, objetivos e prioridades claras”, diz. “Na Europa e em Portugal não existam políticas que definam objetivos claros, orçamentos específicos ou novos mecanismos para endereçar estes impactos da IA”, acrescenta.
OpenAIinicia debate sobre superinteligência. Em que temos de participar
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Inteligência artificial a Dona do ChatGPT propõe medidas para um novo pacto social e económico para aquilo que chama a Era da Inteligência. Que já começou, com efeitos em todos os setores, incluindo no Estado.