É uma marca icónica. Quase todas as casas portuguesas tinham, ao lado do telefone fixo, dois volumes indispensáveis: as Páginas Amarelas, que reuniam os contactos de empresas e serviços, e as Páginas Brancas, com os números de telefone dos vizinhos e amigos. Muitos decerto ainda se lembram dos vendedores de castanhas as usarem para fazer as embalagens em forma de cone. Hoje, o papel desapareceu, mas as Páginas Amarelas renasceram no digital, transformando-se numa parceira tecnológica das pequenas e médias empresas portuguesas (PME). A estratégia passou por deixar de ser apenas um diretório e transformar-se num integrador de soluções digitais para o tecido empresarial português.
João Souto está à frente desta transformação e assumiu a liderança da empresa com a ambição de recuperar o que considera ser o verdadeiro património da marca: a sua relação histórica com as empresas nacionais. “Durante muitos anos pensou-se que o produto das Páginas Amarelas era o livro. Na verdade, o nosso grande ativo sempre foi a ligação às PME”.
A transição para o digital começou cedo. Em 1998, a empresa lançou o portal pai.pt, muito antes dos motores de busca dominarem a forma como os utilizadores encontram empresas online. Hoje, este diretório reúne mais de 400 mil empresas. No entanto, o negócio evoluiu. Em vez de viver apenas da presença no diretório, a empresa vende serviços digitais que ajudam as PME a modernizarem-se.
“Ter presença online é apenas o primeiro passo. Hoje, as empresas precisam de muito mais: websites, campanhas digitais, CRM, chatbots, sistemas de faturação ou pequenos ERP”, explica João Sousa, CEO das Páginas Amarelas. O modelo segue uma lógica semelhante à do software como serviço (SaaS): as empresas pagam uma mensalidade pelos serviços que utilizam. “Em média, uma PME paga cerca de 200 euros por mês, embora este valor dependa do número de soluções contratadas”, avança.
As Páginas Amarelas terminaram o ano de 2025 com 7,5 milhões de euros de faturação e 70 colaboradores. Segundo o CEO, cerca de cinco mil clientes utilizam as soluções digitais da empresa, enquanto a base de dados inclui centenas de milhares de empresas listadas.
Nos últimos anos, o investimento em tecnologia e em reorganização interna rondou um milhão de euros, sobretudo na digitalização de processos, na implementação de um sistema de gestão de relações com os clientes (CRM) e na incorporação de ferramentas de inteligência artificial. “Hoje, somos uma empresa 100% digital”, afirma, orgulhoso. A estratégia da empresa consiste em colaborar com parceiros e integrar diferentes ferramentas digitais numa proposta única para as PME. “Muitas empresas adquirem soluções em momentos diferentes: primeiro a faturação, depois o sítio web, mais tarde um CRM. O problema é que essas ferramentas não comunicam entre si”, explica, acrescentando que a ambição das Páginas Amarelas é ajudar a ligar essas peças: “Queremos evitar que o empresário tenha um comando com 50 botões. O objetivo é ajudar o cliente a simplificar”, termina.
Páginas Amarelas resistem, são digitais e querem crescer 6%
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Reinvenção : O antigo diretório em forma de lista telefónica é agora uma plataforma 100% digital, com soluções tecnológicas para PME. Marca reinventou-se e já conquistou 400 mil.