Criada a partir de uma joint-venture entre a CUF e a Mitsubishi, a Fisipe foi fundada em setembro de 1973 com o propósito de ser uma das empresas pioneiras na produção de fibras acrílicas.
Localizada na vila do Lavradio, no concelho do Barreiro, foi adquirida pelo grupo alemão SLG em 2012, líder mundial no fabrico de produtos e materiais de fibra de carbono.
Apesar da capacidade para produzir 50 mil toneladas anuais de fibras, a empresa foi perdendo quota de mercado, apresentando resultados negativos e perdendo competitividade, em particular no mercado asiático.
Em 2018, a SGL anunciou o encerramento da sua produção de fio contínuo e explicou que iria avançar com uma “reorganização profunda da sua estrutura”.
Nos anos que se seguiram o cenário não melhorou e a SGL acabou por anunciar em 2025 o despedimento de 190 trabalhadores, a que se juntam mais 60 este ano, encerrando em definitivo esta unidade de produção.
É com base neste pressuposto que um grupo de investidores portugueses e internacionais tem em marcha um projeto para reativar a fábrica e a sua linha de produção de fibra de carbono.
Liderada pelo empresário José Pedro Rodrigues, Founder & Chief Executive da Barreiro Bay Square, a estratégia passa por um investimento de 100 milhões de euros para “dar continuidade à produção da fibra de carbono, diversificar o mercado e apostar na indústria aeroespacial europeia”, diz ao JE, José Pedro Rodrigues.
Além de Portugal, o capital surge também de empresas ligadas à indústria da defesa alemã e belga, com o empresário a realçar que serão mantidos na nova estrutura alguns quadros portugueses da antiga SGL.
A ideia passa também por adquirir entre 45% e a totalidade das ações do SGL Group e transferidas para uma nova sociedade germânica.
Contudo, este é um processo que tem de passar no crivo da Administração do Porto de Lisboa (APL) que é proprietária daqueles terrenos.
“Essas ações têm que ser transferidas para este novo grupo de empresas e a Administração do Porto de Lisboa tem de aprovar a transferência dessas ações da SGL para a nova empresa”, afirma José Pedro Rodrigues, salientando que aguarda desde dezembro do ano passado que a APL proceda a este deferimento.
Por isso, o empresário acredita que mal a construção possa arrancar o processo de produção estará pronto a funcionar num período de entre três a cinco anos.
“Existe um relatório de descontaminação dos solos com 400 páginas. Foram identificados quatro pontos de contaminação e essa será a primeira fase do trabalho, bem como o desmantelamento da área que deixou de ter produtividade e está obsoleta para onde serão transferidas novas tecnologias”, explica.
O empresário assume que outra das estratégias passa pela colocação de uma grande extensão de painéis fotovoltaicos e recuperar a central de biomassa.
“São 200 mil metros quadrados que se enquadram perfeitamente na reconfiguração que o Barreiro tem previsto na reabilitação de toda a frente ribeirinha. Queremos deixar de ter indústrias contaminadas e passar a ter uma indústria completamente clean”, sublinha.
Todo este processo irá culminar no objetivo de “recuperar o máximo de postos de trabalho possível” e com uma aposta virada para a mão de obra nacional qualificada.
“Temos já uma parceria feita com o Instituto Superior Técnico”, afirma.
O empresário estima que todo este projeto venha a gerar uma receita anual de 63,5 milhões de euros entre a produção de fibra de carbono T700 e a fibra acrílica técnica.No caso da primeira, a receita estimada é de 51 milhões de euros, com uma capacidade de produção anual de 1.500 toneladas para serem aplicadas na indústria aeroespacial, defesa e compósitos avançados (carbono, kevlar ou vidro).
Já para a fibra acrílica técnica, a estimativa é de uma receita de 12,5 milhões de euros e uma capacidade produtiva anual de 2.500 toneladas para serem aplicadas na indústria técnica especializada.“Tudo isto vem no seguimento do trabalho que temos vindo a fazer no Barreiro de olhar para a unidade industrial”, conclui José Pedro Rodrigues.
Grupo de investidores tem 100 milhões para reativar fábrica no Barreiro
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Indústria : José Pedro Rodrigues lidera um grupo de investidores nacionais e internacionais que pretende voltar a dar vida à SGL/Fisipe, para a produção de fibra de carbono. “Vamos apostar muito nas energias alternativas e recuperar o máximo de postos de trabalho possível”, diz o empresário.