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Grupo Vera Cruz vai investir 13 milhões em nova fábrica em 2027

Agronegócio : A empresa já investiu 56 milhões para colocar a amêndoa da Beira interior na boca do mundo. Com a marca Better With vai lançar novos produtos ainda este ano.

Dizem que as conversas são como as cerejas, mas nesta história são como as amêndoas. Tudo começou à mesa de um bar, em Lisboa, quando David Carvalho, um mineiro de 46 anos à descoberta das raízes portuguesas do avô, ouviu o amigo Felipe Rosa falar sobre o potencial do agronegócio português. A ideia germinou e, com capital da venda da sua empresa de tecnologia no Brasil, a FS, acabou por investir no negócio das amêndoas.
Entre Idanha-a-Nova e o Fundão, o grupo Vera Cruz lançou-se em 2017 num investimento que já soma 56 milhões de euros, transformando terrenos abandonados em 1.300 hectares de amendoais e plantando um milhão de árvores. Mas, como sublinha David Carvalho, CEO do grupo, “desde o início percebemos que não podíamos ficar apenas na commodity.” Hoje, a visão é clara: ocupar toda a cadeia de valor. “A amêndoa é um superalimento, com proteína e bons óleos — do snack à cosmética, há um mundo por explorar.”
O passo seguinte foi criar a marca Better With, que agrega produtos com valor acrescentado, incluindo amêndoas saborizadas com coco e canela premiadas internacionalmente. “Queremos ser reconhecidos como empresa de produto e não apenas agrícola. Temos vários lançamentos previstos ainda este ano, caso de uma gama de pasta e óleo de amêndoa.” Paralelamente, o grupo desenvolve marcas próprias para grandes retalhistas nacionais, reforçando a presença no mercado através de parcerias estratégicas.
Mais de 70% da produção é exportada, com presença em cerca de 15 países. “Queremos chegar aos 90% de exportação. A Europa é o nosso mercado natural, mas também estamos a olhar para o Japão, Médio Oriente (agora em pausa devido à guerra) e Brasil. O compromisso ambiental é outro pilar: a agricultura regenerativa olha para solo, água e biodiversidade.“É possível produzir em escala e, ao mesmo tempo, ter um impacto positivo no ambiente”, diz.
Entre desafios de custos, mão de obra e logística, o grupo investe em retenção de equipas e diversificação de financiamento. Em 2025, recebeu 10 milhões de euros de capital de risco, com objetivo de expandir infraestrutura industrial e logística. Deste bolo já investiram 6,5 milhões. Um próximo passo é a construção de uma unidade de descasque e processamento de amêndoa, capaz de receber também a produção de outros agricultores locais. “Um investimento de 13 milhões de euros que começa em 2027 e vai até 2029.”
Com raízes portuguesas e ambição global, David Carvalho olha para o futuro com confiança: “Este é um projeto de longo prazo. Queremos levar o nome da Beira Interior para o mundo. Queremos ser reconhecidos não apenas como produtores, mas como uma empresa de produto. Essa é a nossa ambição.”

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