A pressão do Plano de Recuperação (PRR) reflete-se não apenas nos preços dos materiais e da mão de obra, mas “também no custo final da habitação”. A ideia é transmitida por Manuel Maria Gonçalves, CEO da Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), em declarações ao Jornal Económico (JE).
O PRR está a aumentar o preço-base das obras, devido à “pressão do tempo e a falta de mão de obra”, admitiu recentemente ao JE o presidente da Comissão de Acompanhamento do PRR. Uma posição agora reforçada pelos promotores imobiliários que admitem também que o PRR está a aquecer o setor da construção, nos preços base e, indiretamente, os custos finais da habitação. Uma pressão que se junta a “outros fenómenos que não derivam do PRR”, como “a atração de residentes não habituais” ou o turismo.
No caso dos custos de construção essa pressão deve-se no seu entender, a uma execução concentrada no tempo dos investimentos associados ao PRR, cujos apoios não foram dirigidos diretamente aos promotores imobiliários, mas “sobretudo às entidades públicas e aos empreiteiros responsáveis pela execução das obras, num contexto já marcado por escassez estrutural de mão de obra e por constrangimentos na cadeia de fornecimento de materiais”.
Contudo, sublinha que este não é um fenómeno exclusivamente nacional, sendo transversal a vários mercados europeus.
No caso de Portugal, a solução para reverter esta problemática passa por “acelerar processos de licenciamento, aumentar a capacidade produtiva do setor e criar condições para atrair mais trabalhadores qualificados”, refere.
Sobre o fenómeno dos residentes não habituais e do turismo, Manuel Maria Gonçalves considera que o principal fator passa por uma escassez de oferta habitacional adequada e a previsibilidade do enquadramento fiscal e regulatório. “Sempre que a oferta é insuficiente e os preços sobem de forma sustentada, a competitividade relativa do país pode ser afetada”, salienta, acrescentando que é fundamental aumentar a oferta, garantindo simultaneamente estabilidade legislativa e eficiência administrativa.
Pressão do PRR está a refletir-se no custo final da habitação
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PRR a Manuel Maria Gonçalves defende que o fenómeno é transversal a vários mercados europeus e pede aceleração dos licenciamentos e criação de condições para atrair mais trabalhadores qualificados.