Imagine uma fábrica onde todos os trabalhadores têm acesso a boa alimentação, educação de qualidade, programas de bem-estar e apoio psicológico. Não se trata de máquinas mais rápidas ou de processos mais eficientes — mas de cérebros mais fortes. Estudos recentes mostram que essa combinação de saúde cerebral e competências cognitivas pode gerar ganhos de seis triliões de euros globalmente. “A economia do cérebro resume-se a uma coisa: cérebros fortes impulsionam economias fortes. Cada vez mais, vemos que a criação de valor vem daquilo que conseguimos imaginar, conceber e conectar com o nosso cérebro, em vez do que produzimos com as mãos”, explica Lucy Pérez, consultora do McKinsey Health Institute.
O conceito reflete uma mudança na forma como o valor é entendido. Cada vez mais, o crescimento económico depende não só do capital físico ou da infraestrutura digital, mas também da saúde e das competências do cérebro: a nossa capacidade de pensar com clareza, adaptar-nos à mudança, colaborar de forma eficaz e tomar decisões acertadas em ambientes complexos. “A economia do cérebro é um conceito emergente em que sistemas económicos resilientes e prósperos são impulsionados por cérebros saudáveis e fortes. E quando falamos de cérebros saudáveis, referimo-nos não apenas à saúde cerebral, mas também à saúde mental, saúde neurológica, uso de substâncias e competências cognitivas”, acrescenta Kana Enomoto, especialista do McKinsey Health Institute.
Segundo as responsáveis, as doenças relacionadas com a saúde cerebral estão a aumentar, impulsionadas pelo envelhecimento da população, aumento dos fatores de stresse e maior incerteza em relação ao futuro. “Fortalecer a saúde do cérebro traz benefícios além do próprio cérebro, com associações positivas em múltiplas dimensões, incluindo saúde metabólica, cardiovascular, social, emocional e espiritual”, dizem. A inteligência artificial vai transformar o trabalho e a competitividade dependerá da capacidade de combinar os pontos fortes humanos e das máquinas. Assim, nesta nova era, investir no desenvolvimento humano é tão essencial quanto investir em tecnologia. E a construção de uma economia forte passa inevitavelmente pelo fortalecimento dos cérebros que a sustentam. Promover educação de qualidade, acesso a cuidados de saúde e condições de vida dignas não é apenas um imperativo ético — é uma escolha estratégica.
No final, a equação é simples: sociedades que cuidam das suas mentes constroem economias mais robustas. E, como resume um analista, “não há crescimento sustentável sem pessoas capazes de pensar, criar e inovar”.
Cérebro forte, economia competitiva
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Estudo : O cérebro é o órgão mais complexo e vital do corpo, regulando desde funções básicas da vida até decisões complexas. Apesar dos rápidos avanços tecnológicos, nada consegue ainda replicar a capacidade do cérebro de contribuir para a sociedade.