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Custos dos agricultores sobem doze milhões num só mês

Combustível : O apoio de 10 cêntimos por litro cobre apenas três milhões de euros. Com os fertilizantes até 30% mais caros, o setor alerta para riscos de produção e competitividade.

O recente pacote de medidas aprovado em Conselho de Ministros para mitigar a subida dos preços dos combustíveis está longe de satisfazer o setor agrícola. Apesar do apoio adicional de 10 cêntimos por litro no gasóleo colorido e marcado, os agricultores consideram a resposta insuficiente face ao aumento acumulado dos custos nas últimas semanas.
Para Pedro Pimenta, vice-presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), o preço do gasóleo agrícola já subiu cerca de 42 cêntimos por litro desde o início do mês, um agravamento que está a ter um impacto imediato e significativo nas explorações. “Se aumentou 42 cêntimos e nos devolvem 10, continuamos com mais 32 cêntimos em cima. É uma brutalidade”, afirma. Também o presidente da Confagri, Idalino Leão, diz que o apoio de 10 cêntimos por litro é “claramente insuficiente” face à subida registada no gasóleo agrícola.
O responsável da CAP sublinha que o momento é crítico para o setor, uma vez que coincide com a instalação das culturas de primavera-verão, caso do tomate, batata, beringelas, pepino, abóbora, feijão, cenoura, beterraba, alface, milho, arroz entre outras. Este é o período em que o consumo de combustível é mais elevado. “Desde 1 de março até dia 30, a agricultura consumiu, em média, mais de um milhão de litros de gasóleo por dia. Este aumento representa mais de 400 mil euros diários de despesa adicional”, explica, acrescentado: “Basta somar e dá cerca de 12 milhões de euros de aumento de custos para os agricultores apenas num mês.” Neste momento, a CAP diz que há 150 mil beneficiários de gasóleo verde.
Além do combustível, os agricultores enfrentam a subida nos custos dos fertilizantes, com aumentos na ordem dos 30%, sobretudo nos produtos azotados. Pedro Pimenta diz que o aumento só na fertilização de um hectare de milho acresceu 300 euros relativamente ao ano passado. Passou de 1000 euros para 1300 euros. “As faturas estão a chegar agora, não é mais tarde”, adverte. Neste contexto, a CAP defende que a resposta do Governo deveria ser mais musculada e imediata, de forma a ter impacto real no atual ciclo produtivo. “Era preciso uma medida robusta, não uma solução que fica aquém do problema”, diz.

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