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Imobiliário: Segurança atrai milionários para Portugal por causa da guerra

Habitação : País é visto como destino seguro, mas isso não basta para captar investidores. “Temos de ter regimes fiscais atrativos para convencer as pessoas a escolher Portugal como país de eleição”, diz Hugo Santos Ferreira.

O mercado imobiliário de luxo continua a ser uma das principais apostas dos investidores internacionais em Portugal, muito por força de questões como a segurança e o clima.
Este paradigma acentuou-se com o conflito no Médio Oriente, não só dos investidores tradicionais, mas também do Golfo Pérsico.
“Temos sentido um grande interesse por parte de clientes não só oriundos dessas regiões, mas de outros pontos que estavam a escolher o Médio Oriente, os Emirados Árabes, a Arábia Saudita ou Dubai”, diz ao Jornal Económico, Hugo Santos Ferreira, CEO da mediadora imobiliária de luxo norte-americana, Corcoran Atlantic.
Destinos que, salienta o CEO, espera-se que sejam seguros, mas que por força deste conflito levou muitos investidores e compradores a redirecionar a sua atenção e a olhar outra vez para Portugal.
Contudo, alerta que “a segurança é muito importante, mas não chega” e que Portugal continua a ter um problema de atratividade fiscal para convencer este tipo de pessoas.
“Temos que voltar a ter regimes fiscais atrativos competitivos para convencer os investidores a escolher Portugal como o seu país de eleição”, refere.
Entre os exemplos de políticas fiscais atrativas, destaca os programas Golden Visa e Residente Não Habitual, como “absolutamente essenciais” para estes investidores optarem por Portugal em detrimento de outro país.
“Nos anos anteriores, perdemos muitos investidores para localidades como o Dubai. A atratividade fiscal que um país tem é absolutamente decisivo para atrair investimento estrangeiro”, afirma.
Um sentimento que é partilhado por Patrícia Barão, Partner and Head of Residential da consultora Dils, dando o exemplo dos ingleses, como uma das nacionalidades que mais investe no Dubai.
“Estes investidores, ou nacionalidades olham para destinos como o Dubai e automaticamente retraem-se dada a conjuntura geopolítica e Portugal é um destino que surge como alternativa”, sublinha.
Uma das nacionalidades que tem vindo a investir no imobiliário português nos últimos anos são os norte-americanos. Em 2025 estes investidores foram responsáveis por 12% da procura internacional por casas de luxo, com valores acima do um milhão de euros.
Face a este cenário, Patrícia Barão não tem dúvidas de que Portugal já não é só uma moda, mas sim um destino consolidado para este mercado,
“Os americanos estão a comprar casa para viver Portugal. Isto muda o paradigma porque a dimensão dos Estados Unidos é de tal forma grande, que basta haver esta conjuntura de alguns americanos virem para Portugal para irem passando a palavra”, explica.
A liderar uma das principais empresas do imobiliário de luxo dos Estados Unidos em Portugal, Hugo Santos Ferreira destaca a aposta no nosso país de clientes vindos de Nova Iorque, Flórida e da Califórnia, motivado “por questões de segurança” que se vivem atualmente na cidade de São Francisco.
Entre as zonas de Portugal que estão no radar de investidor norte-americano, os especialistas destacam Lisboa, Algarve, Cascais, Comporta “muito baseado em branded residences” e o Porto, “porque tem um aeroporto que funciona”, diz Hugo Santos Ferreira.
Por sua vez, Patrícia Barão realça que Portugal oferece uma grande variedade de produtos imobiliários.
“Tem as branded residences, imóveis para rendimento, moradias com jardins, escolas internacionais, golfe, ou seja, uma panóplia de serviços que são atrativas para os americanos”, afirma.
Em relação aos valores de investimento indica que podem ir dos 500 mil aos cinco milhões de euros, preços que constam do portefólio da Corcoran Atlantic e que aponta o CEO, são investidores milionários, mas também eles fazem contas à vida.
“Os nossos investidores têm bastante poder aquisitivo. A Corcoran nos Estados Unidos, bate recordes em Manhattan, de penthouses que custam 100 milhões de dólares. Isso não quer dizer que uma pessoa que acaba de vender uma propriedade nos Hamptons por 100 ou 150 milhões de dólares venha para Portugal gastar dinheiro sem fazer contas”, diz Hugo Santos Ferreira,
Acrescenta que são pessoas que gostam de ter cinco, seis casas pelo mundo inteiro e que gostam de comprar a preço de mercado, de fazer bons investimentos. É importante que se perceba que, apesar deste boom que de investidores internacionais, os proprietários também têm que ter a consciência que, de facto, eles querem comprar casas a preços de mercado e competitivos”, conclui.

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