O CEO da AdvanceCare defendeu que só é possível ter contas sustentáveis se trabalharmos na prevenção da saúde. No debate dedicado ao tema ‘Desafio da demografia e saúde. Viver mais e melhor’, José Pedro Inácio, referiu que os custos vão ter tendência para aumentar se nada for feito de forma diferente.
“É preciso atuar mais cedo na prevenção da saúde, mais cedo quando estamos saudáveis e sermos mais eficazes nos tratamentos”, afirmou.
O CEO salientou que este cenário de agravamento dos custos é maior consoante as faixas etárias. “Se pensarmos num jovem entre os 10 e 25 anos e numa pessoa de 30 a 50 anos, esse custo é quase o dobro, e a partir dos 70 torna a duplicar”, sublinhou.
José Pedro Inácio realçou que o mundo está a descobrir como manter este equilíbrio de custos e que Portugal precisa de investir na literacia sobre a saúde,
Neste painel esteve presente Ricardo Raminhos, administrador executivo da MGEN, que acredita que a indústria vai ter de renegociar o seu processo de financiamento para que a população possa ter acesso a um seguro.
“Nos próximos tempos vamos ter mais pressão sobre seguros de saúde e financiadores. É preciso renegociar o processo de financiamento para não deixarmos ninguém sem seguro de saúde”, afirmou.
O responsável assume que é inevitável que mais seguradoras venham a absorver aquilo que hoje não é financiado, dando o exemplo de que a partir dos 65 anos, em média, cada português tem uma doença crónica.
“Tudo isto tem custos associados. A partir dos 65 anos, gastamos 70% daquilo que gastamos ao longo da vida”, referiu.
Também presente no evento, o CEO da CUF considerou o aumento de custos em saúde um “problema sistémico que só se resolve com a contribuição de todos” - regulador, seguradores, prestadores e indivíduos. E trouxe o exemplo da ADSE, subsistema dos funcionários públicos que abrange 1,3 milhões, para dar uma ideia do impacto do envelhecimento no sistema.
“Se para beneficiários entre os 40/50 anos o custo médio anual com despesas de saúde é de 500 euros, esse valor chega aos 1.200 na população com mais de 70 anos”, assinalou Rui Diniz.
O responsável referiu-se ao aumento dos custos, em especial dos custos com pessoal, que se reflete depois nos preços cobrados às seguradoras e aos clientes finais, mas alertou também que essa é apenas uma das faces do problema. O maior desafio para, alertou, será a falta de jovens para cuidar dos mais velhos.
“Vamos ter um défice tremendo de cuidadores. Já temos mas vamos ter mais dificuldades em ter auxiliares de ação médica especializados nestas áreas e vai faltar-nos enfermeiros”, antecipou Rui Diniz.
Para fazer face a isso, acrescentou o CEO da CUF, “temos de pensar” em soluções inovadoras. “Pode ser uma “combinação de tecnologia e monitorização remota”, mas “nada vai substituir pessoas”, ressalvou.
Stella Bettencourt da Câmara, professora do ISCSP e especialista em demografia, trouxe os números. Desde 1983 que não há rejuvenescimento da população e em 2030 prevê-se que 30% tenham 65 ou mais anos. Mas haverá também mais “supercentenários”, pessoas com mais de 110 anos, que hoje são três mil em Portugal.
“É preciso aumentar a natalidade”, defendeu, mas também “olhar para a economia da longevidade”, tendo em mente a prevenção, por um lado, e a formação por outro, frisou a demógrafa.
Só com prevenção na saúde é possível ter contas sustentáveis
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CEO da AdvanCare diz que o mundo está a descobrir como manter o equilíbrio nos custos e que Portugal precisa de investir em literacia na saúde.