Num momento em que o setor enfrenta desafios estruturais e exige respostas conjuntas, a relação entre o regulador, as empresas e o poder político assumem uma importância decisiva. A cooperação e o diálogo surgem como elementos chave para garantir um futuro mais sólido e sustentável. Foi com esse espírito que os líderes do setor partilharam as suas recomendações ao supervisor no Seguros Summit 2025.
“Um diálogo próximo com o setor, representantes das companhias e com o Governo é particularmente relevante. Este é um setor profundamente regulado e muito condicionado pelas opções políticas que se tomam. Temos de estar de mãos dadas para daqui a uns anos possamos dizer que fizemos a diferença ou no protection gap ou na poupança para o investimento”, diz Pedro Carvalho, CEO da Generali Tranquilidade.
“Riscos como a questão da longevidade, a demografia e as alterações demográficas estão aí. Temos a oportunidade de fazer a diferença em Portugal e criar um enquadramento e dinâmica em que os operadores de mercado possam ser determinantes”, reforça Rogério Campos Henriques, CEO da Fidelidade. “Há oportunidade de catapultar Portugal para outro patamar. O poder político tem de fazer a diferença porque precisamos de enquadramentos legislativos que incentivem os portugueses a fazer melhor. E, para isso, estamos cá todos”, acrescenta.
As recomendações do setor encontram eco nas palavras do presidente da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões. Gabriel Bernardino reforçou a importância de um enquadramento estável e comprometeu-se com uma maior proximidade com os agentes do setor.
No entanto, há uma parte da equação que depende do decisor político e não do mercado. “Se queremos efetivamente ter produtos de longo prazo para a reforma, temos de ter um tratamento fiscal adequado para quem está disposto, no fim de contas, a ter um investimento que fica ali assim [parado], durante muitos anos”, avisou Gabriel Bernardino.
O presidente da ASF apontou, também, a responsabilidade das seguradoras, dizendo que as políticas de investimento devem ser reequacionadas, porque, sem isso, “vai ser muito difícil conseguir-se dar um aporte positivo aos clientes”.
Bernardino defende que deve haver uma aposta “em novas tipologias de produtos em que a lógica de estratégia de investimento seja adequada ao longo prazo”. Ou seja, “termos mais risco quando somos mais jovens e podermos, gradualmente, ter menos risco quando somos mais adultos”.
A estabilidade e a confiança só se constroem com cidadãos informados — e é aqui que a educação financeira assume um papel central. Nesse sentido, tanto Rogério Campos Henriques como Pedro Carvalho explicaram que as seguradoras que lideram têm uma visão de longo prazo e um conjunto de produtos competitivos e inovadores. O objetivo é multiplicar a captação de poupança dos portugueses nos próximos anos.
“Se nós conseguíssemos — e fizemos um cálculo há algum tempo — trazer 75 ou 80 mil milhões que estão nitidamente a mais nos depósitos para produtos de reforma de longo prazo, imagine só o que poderíamos ter na diversificação de investimentos”, afirmou Gabriel Bernardino. “Traria imensas potencialidades — basta 1% ou 2% disto”, disse. “Poderia criar uma dinâmica à economia portuguesa e depois, obviamente, as pessoas ficarem com pensões muito mais adequadas, que é o objetivo”, defendeu.
Seguros identificam oportunidade única para mudar o mercado
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Líderes dos seguros dizem que há oportunidade única para fazer a diferença no mercado, elogiam a postura do novo regulador mas chamam o Governo “à mesa”.