Portugal ocupa o penúltimo lugar da União Europeia (UE) entre os países com melhor literacia financeira, o que constitui um peso grande quando se pretende falar de literacia de risco e na necessidade de colmatar o défice nas pensões. “Tem a ver com proteger a vida ativa e perceber a importância de saber poupar, por exemplo, para a velhice”, diz Gonçalo Castro Pereira, vice-presidente da GamaLife e presidente do CASA, o Centro de Conhecimento e Aprendizagem de Seguros da Associação Portuguesa de Seguradores.
“Se quero ter uma reforma melhor, se calhar nos primeiros tempos tenho de correr um risco maior”, explicou. “Do ponto de vista da poupança para a velhice é importante explicar a importância do que é ter um Plano Poupança Reforma”, disse.
A posição relativa que o país ocupa no ranking da literacia é “aterradora” e deve fazer soar os alarmes de todos os players do setor financeiro, diz Rui Costa, administrador no Doutor Finanças. “Atrás de nós só a Roménia e não é por muito”.
“As pessoas têm medo de falar de dinheiro, dos problemas que têm casa sobre dinheiro. Não falam com os filhos sobre poupança e investimentos”, referiu, no painel sobre o “Desafio da literacia financeira. Saber e agir”, disse.
A sociedade global tem atualmente uma falta de conhecimento para crescer e tomar decisões, a começar pelas gerações mais novas, diz Costa. “São essas decisões que impactam o futuro. 83% dos jovens a nível europeu não pensa em seguros de forma transversal”, sublinhou.
Citando o presidente da ASF, Gonçalo Castro Pereira apontou que os portugueses são aforradores, mas não investidores. “É natural, se pensam mais em poupar do que investir”, referiu, acrescentando que tudo isto é uma questão geracional, e que por isso deve começar-se pelos mais novos.
“Demora tempo a chegar lá, mas tem de se começar por algum lado, como nas escolas. É importante que as crianças percebam cada vez mais cedo porque há seguros e a sua importância. A literacia financeira é um dever de todos, não só das seguradoras”, sublinhou.
Rui Costa realçou que os seguros de vida são dos melhores produtos que as pessoas podem contratar, mas são os que menos contratam, dando o exemplo da habitação.
“Quando estamos a comprar uma casa, estamos a proteger cimento. Mas se me acontecer alguma coisa, a minha esposa não come cimento e perde 50% da rentabilidade financeira em casa. As pessoas têm de olhar para o dinheiro como uma ferramenta para investir a longo prazo”, salientou.
Falta de literacia é um problema que tem de fazer soar alarmes
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Poupar ao longo da vida e investir é essencial para reforçar as pensões, mas a falta de literacia torna tudo muito mais difícil.