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Os avisos do governador do Banco de Portugal

Álvaro Santos Pereira pede “prudência” na gestão do saldo orçamental, mais investimento em habitação e medidas temporárias direcionadas às famílias mais vulneráveis.

O governador do Banco de Portugal (BdP) afirma que a economia “continuará a ter um bom desempenho” e sublinha as “boas notícias” em várias frentes, embora esteja “preocupado com as exportações”. Em vésperas da entrega da proposta do OE2027, Álvaro Santos Pereira deixa avisos ao Executivo ao pedir “prudência” na gestão do saldo orçamental, mais “urgência” no investimento em habitação e defende medidas “temporárias e direcionadas às famílias mais vulneráveis” para mitigar o custo de vida.
“Não ficaríamos surpreendidos se houvesse excedente orçamental” este ano e em 2027, disse Álvaro Santos Pereira esta quarta-feira, na apresentação do Boletim Económico de outubro do BdP, onde foi revelada a revisão do crescimento do PIB em 0,5 p.p. para 2,3% este ano e de 1,8% em 2027, mais 0,2 p.p. Apesar do otimismo na economia, o governador pede, aliás, que o Governo “mantenha a prudência orçamental”, para que seja possível “continuar a reduzir a dívida pública”. É que, apesar de ter diminuído nos últimos anos, a dívida “continua elevada”.
“É preciso controlarmos o nível de despesa, para termos a certeza absoluta de que mais tarde não teremos problemas”, acrescentou Álvaro Santos Pereira.
O governador defende ainda que são “desejáveis” medidas para mitigar a crise que sejam “temporárias e direcionadas às famílias mais vulneráveis”, realçando que as famílias com menor margem financeira podem ter mais dificuldade em suportar a subida das despesas essenciais.
Na habitação, tendo em conta, diz, a “situação bastante dramática”, em que “faltam pelo menos 300 mil casas no país”, Álvaro Santos Pereira, defende que a subida do investimento no setor, de 2% ao ano, não é suficiente. “Não estamos a construir o suficiente para enfrentarmos o problema que temos em mãos. Para baixar o ritmo de subida dos preços da habitação é necessária uma intervenção mais decisiva.”

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