Crescimento acima de 2%, inflação em queda, desemprego a cair novamente e novo superavit, ainda que marginal: o Governo aponta a um cenário otimista na proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), com o Conselho de Finanças Públicas (CFP) a alertar para os riscos de crescimento abaixo do previsto e mais pressão nos preços. Do lado da dívida, o ano deve fechar já abaixo de 85%.
O cenário macro em que assenta o OE2027 aponta a um crescimento de 2,1% no próximo ano, um abrandamento em relação aos 2,3% previstos para 2026, com avanços menos expressivos em todas as categorias, mas com contributos positivos tanto da procura interna, como da externa.
O consumo privado até abranda em relação a este ano, mas mantém algum dinamismo com um crescimento de 2,1%, enquanto os gastos públicos crescem 1,2% – também aqui menos do que os 1,7% deste ano. Já o investimento cai de forma mais assinalável após o forte impacto do PRR em 2026, com um avanço de apenas 2% contra os 5,3% deste ano.
Do lado internacional, as exportações mantêm a força demonstrada em 2026, avançando 3,1% depois de 3,5% este ano, ao passo que as importações abrandam marcadamente de 6% para 2,8%, permitindo que a procura externa passe de um contributo líquido negativo de 1,2 pontos percentuais (pp) este ano para um positivo de 0,1pp.
Em termos nominais, a expectativa é que a economia nacional avance 4,6%, o que se traduz numa taxa de inflação de 2,3%, ainda que medida em termos harmonizados – o indicador de referência para as instituições europeias.
Apesar de considerar estas previsões como “estatisticamente prováveis”, o CFP alerta para o otimismo no crescimento e na inflação. A instituição lembra que a projeção para o PIB fica acima das instituições de referência, com CFP e a Comissão a preverem 1,8%, a OCDE 1,7% e o FMI a antecipar 1,6%. Já o BdP aponta a valores mais elevados, com 2,3% depois da atualização das projeções macro no dia anterior à entrega da proposta de OE.
Já no que toca à dívida, o Governo prevê continuar a reduzir o rácio no próximo ano, apontando a uma leitura de 84,5% no final de 2027, mas a despesa com juros continuará a aumentar, fruto sobretudo das taxas mais elevadas que se têm registado nos últimos meses e que não dão sinais de recuo próximo. Em termos concretos, este ano fecha em 87,5%, antes de cair para 84,5% no próximo ano.
Apesar desta trajetória favorável (e que valeu ao país várias atualizações de rating em alta este ano), a despesa com juros irá disparar. O montante que o Estado prevê pagar em custos de dívida salta 23,2% em relação a 2026, ou seja, de 6.669 milhões para 8.217 milhões de euros – em termos relativos, o salto é de 2% para 2,4% do PIB. O saldo orçamental deve continuar positivo, fechando em 0,1% do PIB e dando continuidade aos superavits recentes.
Do lado do emprego, o Governo prevê que se mantenha o crescimento, apesar dos recordes batidos recentemente, e aponta a 1,4% mais de população empregada. Em sentido inverso, a taxa de desemprego é vista a recuar marginalmente para 5,7%, sublinhando ainda mais marcadamente a situação de pleno emprego que se vive na economia portuguesa.
PIB avança 2,1%, haverá novo excedente (marginal) e dívida cai para 84,5%
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Governo aponta a crescimento acima de 2%, inflação a cair para 2,3% e novo resultado orçamental positivo. Emprego continua a crescer e dívida a cair, embora juros pesem mais.