As guerras de elevada intensidade na Ucrânia e no Médio Oriente, as tensões que cresceram entre blocos comerciais, a regulação e o receio do acesso indevido a informação crítica estão a transformar a organização das redes de centros de dados e a mudar a arquitetura da computação na nuvem. A soberania tornou-se uma característica do negócio a que é impossível escapar.
“A soberania é algo que os nossos clientes mencionam como uma preocupação”, afirma André Rodrigues, líder da Amazon Web Services (AWS) em Portugal, ao Jornal Económico. Por isso a tecnológica criou a European Sovereign Cloud, uma infraestrutura autónoma, operada na União Europeia, que iniciou a operação em janeiro, na Alemanha. Também as availability zones, segregadas do ponto de vista físico, lógico, de energia de rede. E por isso serão criadas as Local Zones, três, para já, uma delas em Portugal.
A União Europeia, muito dependente da oferta norte-americana, tem apertado as regras aplicáveis à tecnologia, aos dados e às infraestruturas digitais, com um pacote regulatório, com diferentes ferramentas e vertentes, que impõe conjunto crescente de exigências relativas ao controlo, rastreabilidade, segurança, continuidade e transferências internacionais. Os casos mais restritivos incluem dados classificados, de defesa ou segurança nacional e conjuntos cuja lei, autoridade ou contrato determine residência no país. Dados pessoais, de saúde, financeiros ou estatísticos não estão sujeitos a uma proibição absoluta, mas não podem seguir para qualquer destino sem base legal, garantias ou controlo.
As tecnológicas também têm feito uma aprendizagem. “A soberania, hoje em dia, é um tema complexo. E não é ter os dados locais, isso não é soberania. Vejamos aquilo que aconteceu, por exemplo, na Ucrânia, com a guerra, infelizmente, em que percebemos que a solução não era ter data centers locais”, diz André Rodrigues. “Portanto, ter uma estratégia de continuidade, uma estratégia soberana, vai muito para além de construir muros e acharmos que estamos seguros no nosso quintal”, reforça.
Na AWS, a resposta a esta necessidade foi a criação de regiões, availability zones e local zones.
O novo negócio de garantir a soberania
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As guerras e a concorrência acesa entre países obrigam ao cumprimento de novas regras que alteram a forma como as tecnológicas oferecem serviços.