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Conflito no Médio Oriente aumenta petróleo, yields e aversão ao risco

Desde o fecho da sessão de sexta-feira, 17 de julho, os mercados financeiros foram dominados pelo agravamento das tensões no Médio Oriente.

A intensificação do conflito, marcada por novos ataques a petroleiros e pelo aumento dos riscos na travessia do Estreito de Ormuz, voltou a alimentar receios de perturbações no abastecimento mundial de petróleo. Atualmente, o estreito está de novo praticamente encerrado, sendo poucos os barcos que arriscam a sua passagem. Assim, o Brent ultrapassou novamente a fasquia dos 100 dólares (87,93 euros) por barril, um movimento que reacendeu os receios de uma nova vaga inflacionista, aumentando os prémios de risco exigidos pelos investidores para deter dívida pública.
Nos EUA e na zona euro, os rendimentos das obrigações do tesouro subiram acentuadamente ao longo da semana. A yield soberana norte-americana a 2 anos aumentou de 4,13% para 4,36%, a taxa a 10 anos passou de 4,54% para 4,71% e a yield a 30 anos subiu de 5,08% para 5,18%, igualando o máximo atingido em 19 de maio e os níveis observados pela última vez em 2007. Esta evolução reflete as expectativas de que a Fed possa manter uma política monetária restritiva durante mais tempo, para impedir que o novo choque energético culmine num aumento persistente da inflação. Na Alemanha, a yield a 2 anos subiu de 2,77% para 2,87%, a 10 anos de 3,15% para 3,20%, a mais elevada desde 2011.
Os receios de uma reaceleração da inflação ganharam força nas últimas semanas, apesar de em junho, tanto nos EUA como na Zona Euro, a inflação ter desacelerado beneficiando da descida dos preços dos combustíveis. Nos EUA, o preço médio do galão de gasolina recuou em junho de 3,10 dólares (2,72 euros) para 2,90 dólares (2,55 euros). Contudo, em julho essa tendência inverteu-se e o preço subiu até aos atuais 3,46 dólares (3,04 euros) por galão. Ao mesmo tempo, não foi apenas o Brent que valorizou. Também as margens de refinação da gasolina e do gasóleo aumentaram significativamente, pressionando ainda mais os preços dos combustíveis nas bombas. Este duplo efeito resulta em custos mais elevados para famílias e empresas e aumenta a probabilidade de a inflação voltar a acelerar já nos dados referentes a julho.
Apesar disso, os mercados continuam a antecipar que a Fed mantenha inalteradas as taxas de juro em julho, mas endureça a postura nas próximas reuniões. O mercado monetário, de acordo com a FedWatch Tool, atribui uma probabilidade de 84% a uma subida de 25 pb na reunião de setembro e de 62% a uma nova subida das taxas de juro em dezembro. Caso este cenário se concretize, a taxa diretora norte-americana passará para entre 4,00% a 4,25%.
Na zona euro, a Euribor a 12 meses aproxima-se novamente dos 3%, níveis de setembro de 2024. O BCE manteve as taxas de juro inalteradas, mas Lagarde adotou um discurso claramente prudente. A presidente sublinhou que o choque energético ditado pelo conflito no Médio Oriente continua marcado pela elevada incerteza e que o impacto total sobre a inflação ainda está por avaliar, pelo que as decisões continuarão a ser tomadas reunião a reunião. Ainda assim, o tom foi interpretado pelos mercados como suficientemente cauteloso para manter em aberto uma nova subida já na reunião de setembro, caso os preços da energia continuem elevados e aumentem os riscos inflacionistas.
Neste contexto, o agravamento das tensões geopolíticas, a valorização do petróleo, a subida das yields das obrigações e o receio de novas subidas das taxas de juro penalizaram os mercados acionistas ao longo da semana, tanto nos EUA como na Europa.

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