As rendas das casas por metro quadrado registaram em Portugal uma variação média anual de 5,3% em 2025 (7,0% em 2024), mais do que duplicando o coeficiente do Instituto Nacional de Estatística (INE), publicado em Diário da República em outubro de 2014, que apontava para um aumento de 2,16%, ficando também acima dos 2,3% da taxa de inflação do país. "É evidente que as rendas dos novos contratos estão muito acima do valor das rendas dos contratos que foram celebrados há mais tempo. O proprietário tem o direito de subir as rendas ao nível da inflação. Na prática, a parte que tem mais pressão aceita acomodar uma diferença no valor de maneira a ir de encontro aquilo que é a prática nos novos contratos", afirma ao Jornal Económico, Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário.
Ricardo Guimarães considera que este cenário pode acontecer no momento da renovação de contrato, em que existe esse efeito. "Há um processo de negociação entre as partes, em que os inquilinos, tentando assegurar uma maior estabilidade no contrato, aceitarão no mínimo, que o proprietário suba a renda acima daquilo que tem direito legalmente", sublinha.
De resto, considera que para o inquilino é preferível um aumento um pouco superior, a partir de uma renda mais baixa, do que acabar pelo valor do contrato descontinuado, a ter de ir para o mercado encontrar uma nova casa e fazer neste contexto um arrendamento por valores muito maiores.
O diretor da Confidencial Imobiliário aponta duas razões para que este cenário assim continue. Enquanto houver uma grande diferença entre o nível médio das rendas antigas, face às novas e um mercado pressionado por falta de oferta existirá a tendência para uma negociação entre as partes da qual resultará um aumento de rendas acima da inflação. E acrescenta que esta situação já foi vivida tanto por inquilinos, como pelos proprietários.
"Agora é um ciclo de mais pressão sobre os inquilinos, mas já houve períodos em que havia mais pressão sobre os senhorios, que para não perderem os inquilinos baixavam as rendas desses contratos que estavam acima ou em linha com as rendas que estavam a fazer nos novos contratos de arrendamento.
Ricardo Guimarães espera que as novas medidas do Governo ajudem a dar mais liquidez ao mercado de arrendamento, aumentando a oferta e baixando os custos, "cobrindo segmentos de mercado mais orientados para a classe média".
"Se isso se concretizar, vai ser um fator que vai contribuir para a estabilização das rendas e não haver esta pressão que se verifica na circunstância de se traduzir num aumento de rendas acima da inflação", sublinha.
Recorde-se em setembro de 2025, o INE apontou para um aumento no valor das rendas em 2026 de 2,24%, abaixo dos 2,25% estimados no final de agosto. Este valor que serve de base ao coeficiente utilizado para a atualização anual das rendas ao abrigo do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU).
Caso os proprietários assim o entendam, e se não estiver nada definido em contrato ou não exista um acordo expresso das partes nesse sentido, as rendas poderão ser atualizadas este ano em função desta nova taxa.