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Fed: Powell mantém-se firme nos juros e contra pressão de Trump

Presidente da Fed deixou alguns reparos sobre a importância de preservar a independência dos bancos centrais, mas fugiu a mais questões sobre a polémica investigação que recaiu sobre si depois de deixar os juros inalterados no nível mais baixo desde 2022.

Na primeira reunião do ano e após a investigação lançada sobre o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell evitou novos confrontos com Trump, apesar de garantir que o banco central não perderá a sua independência. Os juros na maior economia do mundo permaneceram assim entre 3,5% e 3,75% e os sinais macro melhoraram, mas ainda é tempo de vigilância.

Na conferência de imprensa que se seguiu à decisão desta quarta-feira de manter os juros inalterados no nível mais baixo desde 2022, o presidente da Fed recuperou a sua postura institucional e pouco confrontacional e evitou responder a questões sobre a investigação movida pelo Departamento de Justiça. Ao invés, Powell remeteu para o comunicado de 11 de janeiro em que argumentava estar a ser visado por rejeitar os pedidos consecutivos de Trump para que baixasse taxas, mas sem deixar considerações sobre a independência dos bancos centrais.

“O objetivo da independência não é proteger os legisladores nem nada de parecido. Mas as economias avançadas e democracias do mundo definiram esta prática comum […] de não ter legisladores eleitos definirem a política monetária”, atirou.

De resto, quanto à investigação – e outras questões políticas sobre a sua sucessão –, o banqueiro foi pouco expansivo.

“Não tenho nada para vocês hoje”, repetiu várias vezes.

O mercado tomava como praticamente certo que a Fed interromperia o seu ciclo de três descidas consecutivas, cenário que se materializou face a um abrandamento claro da criação de emprego e inflação persistentemente acima do objetivo de médio prazo do banco central.

Ainda assim, a nota de imprensa que informou o mercado da decisão menciona que “a atividade económica tem expandido a um ritmo sólido”, bem como que o mercado laboral mostra “sinais de estabilização”. Na mesma linha, referências em comunicados anteriores sobre um risco maior de abrandamento do emprego do que ressurgimento da inflação deixaram de aparecer, sugerindo que a avaliação da economia melhorou desde dezembro.

Recorde-se que nas projeções macroeconómicas mais recentes da Fed, os membros do Comité Federal de Mercado Aberto (FOMC) mostravam mais variância nas suas previsões para a taxa terminal em 2026, mas a média apontava para apenas mais um corte de 25 pontos base (pb) este ano.

Este passou entretanto a ser o cenário base para os mercados, que esperam que tal corte se materialize em junho, mantendo a porta aberta a nova descida em dezembro, a fechar 2026.

Sem abrir o jogo quanto ao rumo da política monetária no futuro imediato, Powell argumentou que a atividade económica tem “melhorado claramente desde a última reunião”, em dezembro, e reforçou a ideia de que o banco central “está numa boa posição” para lidar com a incerteza que permanece.

Por outro lado, a inflação acima do objetivo parece ser fruto quase exclusivamente das tarifas, “o que é uma boa notícia”, explicou. Dado que o efeito das barreiras comerciais deve ser isolado (one-off), a expectativa é que se comece a ver uma desinflação em breve.

“A expectativa é que o efeito das tarifas nos preços atinja um pico e comece a cair a partir daí, assumindo que não há novas tarifas substanciais”, ilustrou. “Esperamos ver isso ao longo deste ano e, caso o vejamos, isso pode ser algo que nos diga para cortar taxas.”