Os apoios anunciados recentemente pelo Governo para a restauração não resolvem os problemas estruturais do sector, considera o presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME). Jorge Pisco relembra o disparo nos custos aliado ao pagamento das linhas contraídas durante a pandemia, mas agora com juros mais elevados, para pintar o sufoco das empresas de restauração e reforça a necessidade de baixar o IVA, embora tal não seja suficiente para revitalizar o sector.
Para o representante das PME nacionais, as medidas anunciadas “podem aliviar” a situação da restauração, mas não são a solução para os problemas estruturais que dificultam atualmente as perspetivas dos empresários. Pelo contrário, urgem políticas de alívio fiscal, não só nas vendas do sector, como também na eletricidade e gás natural.
“Há necessidade de baixar o IVA [da restauração], mas também é preciso baixar o IVA no gás natural, no GPL e na eletricidade, porque se não houver medidas complementares não é só a redução do IVA que vai ajudar as empresas”, afirmou ao JE.
Jorge Pisco relembra o episódio inflacionista dos últimos anos, que encareceu consideravelmente consumos intermédios, mas também as linhas de apoio mobilizadas durante a Covid, que estão agora a ser pagas pelos empresários. Estes apoios, que à altura contavam com taxas de juro diretoras próximas de zero, correspondem agora a taxas consideravelmente mais altas, aumentando a pressão sobre os orçamentos das empresas.
“Os empresários têm estado um pouco calados, mas, quando estas notícias vão começando a aparecer, começam a despertar: há a questão dos consumos, mas depois lembram-se que têm juros, renda, gás, eletricidade e, quando se começa a somar é tudo a crescer”, ilustra.
Apesar do aumento da pressão, não se tem registado um disparo no número de insolvências. O presidente da CPPME relembra que estes são processos morosos, pelo que o que acontece frequentemente é que as empresas se limitam a fechar portas, por vezes deixando apenas a indicação de encerramento temporário.
Recorde-se que o Governo anunciou recentemente uma linha de apoio para a restauração, que atravessa atualmente uma crise de faturação. Segundo o ministro Manuel Castro Almeida, responsável pela pasta da Economia, os apoios serão mobilizados em três eixos, com o destaque a cair sobre as linhas até 60 mil euros, com até um terço do montante a fundo perdido.