Em 2025, o Grupo Porta da frente Christie’s foi responsável por 600 transações de imóveis na região de Lisboa, Cascais e Alentejo, com compradores de 39 nacionalidades diferentes. O volume total de imóveis negociados superou os 560 milhões de euros, mais 35% do que em 2024, o que representa uma transação média na ordem de um milhão de euros. “Nós dividimos o segmento de gama alta em três: Affluent (cinco mil euros o metro quadrado), o premium (até 12 mil euros o metro quadrado) e o luxo (acima dos 12 mil euros o metro quadrado)”, diz João Cília, CEO da Porta da Frente Christie's, ao Jornal Económico.
Com três mil imóveis no portefólio, as transações no segmento de luxo aumentaram 15% em 2025 face ao ano anterior. Ou seja, imóveis localizados no Algarve (Quinta do Lago, Vale do Lobo e Vilamoura), Comporta, Cascais (Gandarinha e Quinta da Marinha) e Lisboa (Avenida da Liberdade, Estrela e Amoreiras). Nestas zonas, o preço das casas varia entre os cinco e os 15 milhões de euros. “Este patamar tem um peso significativo de clientes portugueses e estrangeiros, brasileiros e norte-americanos. Mas a oferta é curta. Se houvesse mais acredito que teríamos mais transações a este nível”, acrescenta o CEO.
Para este tipo de clientes, a localização é chave, privilegiam o nível de construção, o tipo de acabamentos, os serviços inerentes (piscina, ginásio, concierge 24 horas) e a possibilidade de utilizar serviços associados ao hotel. “Estamos perante um mercado em que os compradores estão mais ativos e exigentes, enquanto a oferta continua limitada, mantendo os preços em subida e pressionando todos os segmentos”.
O CEO salienta ainda que “o imobiliário de gama alta tem vindo a expandir horizontes e alargar território”, com o segmento Affluent a ganhar terreno. “Estamos a falar de imóveis fora do centro de Lisboa (Miraflores ou Alta de Lisboa) com preços mais baixos que os segmentos premium/luxo. Este é um segmento em que mais de 90% dos clientes são portugueses e que está muito dinâmico nos últimos dois anos, em especial depois da descida das taxas de juro, iniciada em 2024”, afirma João Cília.
A empresa implementou ainda um agente de Inteligência Artificial (IA) registando mais de 90 milhões de euros em vendas, em Portugal. As vendas foram concretizadas com base nos contactos desenvolvidos pela Rachel (assistente de vídeo), a primeira agente imobiliária de IA a nível mundial, desenvolvida pela startup israelita eSelf AI. João Cília afirma que a empresa tem visto “grandes resultados” desde que começou a testar o agente de IA há cerca de um ano.
Sobre a aquisição de 50% da operação em Portugal da Piquet Realty, mediadora com origem norte-americana e sede em Miami, e com forte presença em mercados de gama alta no Brasil, o CEO considera que este é um passo estratégico essencial para fortalecer a nossa presença em mercados-chave. “A sinergia com uma marca de DNA norte-americano e com forte proximidade ao mercado brasileiro é, sem dúvida, a melhor forma de fortalecer a nossa liderança nestes dois mercados. Este investimento da Porta da Frente é um claro sinal da aposta que estamos a fazer no crescimento e reforço da liderança da Porta da Frente no segmento premium em Portugal ", sublinha João Cília, CEO da Porta da Frente Christie’s.
Em relação às medidas anunciadas pelo Governo, que têm como objetivo principal responder ao problema estrutural da habitação acessível e da classe média, João Cília diz que “são boas, mas não são suficientes”. “A redução do IVA para a construção faz sentido num bem essencial como a habitação e poderá contribuir para baixar custos, mas a sua aplicação é complexa”, diz. A aceleração dos licenciamentos, para trazer construção mais rápida para o mercado, é outro dos pontos que defende. Sobre o futuro do mercado imobiliário não tem dúvidas: “Acredito que vai continuar a haver uma subida de preço, se calhar de forma mais ligeira, mas a tendência de mercado será a mesma”, conclui.