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Acordo UE-Índia deverá permitir poupanças anuais de aproximadamente 4 mil milhões, diz XTB

No caso português, o impacto deste novo acordo comercial poderá ser muito reduzido no PIB, limitando-se apenas a um acréscimo de 0,03% a 0,1% do PIB nacional por volta de 2032. Ainda assim em Portugal os setores do vinho, azeite, cortiça e indústria farmacêutica estão entre os principais beneficiados.

Nesta terça-feira, a União Europeia (UE) e a Índia finalizaram as negociações para a assinatura de um acordo de livre comércio que promete eliminar ou reduzir significativamente mais de 90% das tarifas aplicadas às exportações europeias para o mercado indiano - o maior acordo negociado pela UE até hoje.

Ao eliminar ou reduzir tarifas sobre 96,6% das exportações da UE, o acordo deverá permitir poupanças anuais de aproximadamente 4 mil milhões de euros em direitos aduaneiros para as empresas europeias e duplicar as exportações de bens da UE para a Índia até 2032.

Um das principais beneficiários será, na opinião da corretora, o sector do vinho e bebidas espirituosas.

"A indústria vinícola portuguesa surge como uma das principais beneficiárias, tendo em conta as reduções substanciais das tarifas aplicadas às bebidas alcoólicas da UE. As tarifas sobre o vinho irão diminuir de 150% para 20–30% ao longo de um período faseado, enquanto as bebidas espirituosas passarão de 150% para 40%", refere a XTB.

Aqui, a Sogrape Vinhos Portugal destaca-se como a maior empresa vinícola portuguesa, com vantagens particulares decorrentes deste acordo. A presença em mais de 120 países e uma infraestrutura de distribuição já consolidada colocam a empresa numa posição privilegiada para tirar partido da redução das barreiras tarifárias.

Também a Herdade do Esporão representa outro produtor português relevante de vinho e azeite, com capacidade para beneficiar das reduções tarifárias, em ambas as categorias.

Depois temos o sector do azeite português que beneficia de uma vantagem competitiva única já que 98% da produção nacional atinge a classificação de Virgem ou Virgem Extra, o nível de qualidade mais elevado a nível mundial.

Portugal está no caminho para se tornar o terceiro maior produtor mundial de azeite até 2026, após um aumento de produção superior a 250% entre 2011 e 2021.

O acordo prevê a redução das tarifas sobre o azeite de 45% para zero ao longo de cinco anos, eliminando efetivamente a principal barreira de preço que tem condicionado as exportações.

Empresas como a Herdade do Esporão, Azeites do Cobral e Casa Agrícola Valbom dispõem de capacidades de produção e distribuição que lhes permitem servir rapidamente o mercado indiano.

Temos ainda a indústria da cortiça. Aqui, a Corticeira Amorim, o maior produtor mundial de cortiça, com quase 150 anos de liderança no
sector, beneficia de forma indireta através da redução dos custos tarifários aplicáveis às exportações de vinho.

Depois, adianta a XTB, surge a indústria farmacêutica e produtos químicos de especialidade. Neste setor, as empresas vão beneficiar do regime de tarifas quase nulas aplicado aos produtos farmacêuticos (reduzidas de 11%).

Os fornecedores portugueses do sector automóvel, integrados nas cadeias de valor europeias, beneficiam também do aumento das exportações automóveis da UE para a Índia.

A Sodecia, que fornece diretamente a fabricantes finais de estampagem metálica e montagem, e serve vários fabricantes europeus, deverá beneficiar da expansão das quotas de produção destinadas à Índia.

A AZ Auto e outros fabricantes de componentes de precisão registam um aumento da procura à medida que os construtores automóveis europeus aumentam a produção para exportação para a Índia ao abrigo da quota anual de 250.000 veículos, aponta a XTB.

Impacto económico do Acordo UE-Índia no mercado português

A XTB conclui que este acordo é um marco importante tanto para a Europa como para Portugal, que conseguem reforçar a sua parceria com países emergentes importantes como a Índia, enquanto diversificam os seus mercados e abrem novas portas para estimular setores chaves.

No entanto, o impacto deste anúncio não se está a refletir nas ações das empresas cotadas, tanto na Europa como em Portugal, realça a corretora

No caso português, o impacto deste novo acordo comercial poderá ser muito reduzido no PIB, limitando-se apenas a um acréscimo de 0,03% a 0,1% do PIB nacional por volta de 2032.