Os porta-contentores oceânicos têm mais de 350 metros de comprimento — o equivalente a três campos de futebol alinhados. Com os contentores empilhados, atingem os 70 metros de altura, mais de 25 andares, e ultrapassam os 60 metros de largura. São verdadeiros colossos dos mares, capazes de superar, em escala, o USS Gerald R. Ford, o maior porta-aviões da Marinha dos Estados Unidos, que tem capacidade para transportar até 75 caças.
Esta dimensão traduz-se em eficiência: são dos meios de transporte mais eficazes do mundo em termos de quantidade de carga que levam. Um destes monstros pode consumir 200 toneladas de fuelóleo por dia em navegação contínua, gerando mais de 600 toneladas diárias de dióxido de carbono — o equivalente a cerca de 80 mil automóveis. E óxido de enxofre, de azoto e partículas. As novas regras da Organização Marítima Mundial já mudaram alguma coisa, mas é preciso ir mais longe.
Apesar de o transporte marítimo representar apenas uma pequena fatia das emissões globais, “contribui com 3% das emissões de carbono, portanto é o transporte mais limpo que há”, sublinha Nuno Antunes dos Santos, vice-presidente e administrador delegado da Lisnave. Ainda assim o desafio da descarbonização é incontornável, acrescentando, “estamos a fazer um esforço grande para a redução de emissões de carbono, para atingir o objetivo net zero até 2050”.
O setor vive hoje uma fase de transição. “Por um lado, a descarbonização está presente em todos os grandes debates internacionais, nas estratégias empresariais e nas decisões regulatórias. Por outro, os combustíveis verdes ainda representam uma parte muito reduzida do consumo global”, afirma Ruben Eiras, secretário-geral do Forum Oceano. “Esta realidade mostra-nos que a transição já começou, mas também que estamos ainda numa fase em que é necessário criar escala, previsibilidade e confiança para acelerar a mudança”.
Portugal quer navegar no negócio dos combustíveis verdes
e
/
O transporte marítimo é responsável por 3% das emissões globais, mas enfrenta pressão para atingir a neutralidade carbónica até 2050. Entre biocombustíveis, novas tecnologias e inovação aplicada à frota, o caminho será multifuel. Portugal quer aproveitar a onda.