O que têm em comum Lituânia, Países Baixos, Malta, Croácia, Estónia e Eslovénia? Além de partilharem a moeda única, todos deverão ter derrapagens elevadas na despesa primária líquida — o indicador que a Comissão Europeia usa para avaliar se as contas estão estruturalmente no bom caminho. Mas não só: ao mesmo tempo, ainda pelas previsões de Bruxelas, todos deverão fechar 2026 com dívidas públicas invejáveis: só a Eslovénia deverá ficar acima do limite de 60% imposto pelas regras europeias e apenas por 3.7 pontos percentuais.
Logo a seguir, sétimo na lista das derrapagens, surge Portugal, a quem a Comissão deixou um alerta de “desvio significativo” na despesa líquida esta semana, uma vez que o valor acumulado face a 2023 (ano que serve de referência) deverá ficar 0,7% do PIB acima da recomendação feita por Bruxelas.
Não está em causa o desvio anual (que no próximo ano até nem deve existir no caso português), mas o conjunto de desequilíbrios estruturais acumulados nas contas entre 2024 e 2026. Este ano, o desequilíbrio acumulado até deverá ser maior do que no próximo, ficando em 0,8% — o quinto maior da zona euro (e sexto da União Europeia).
No entanto, ao contrário da lista de cima, Portugal tem ainda um longo caminho a percorrer no que à dívida diz respeito: embora esteja longe do seu auge, e distante dos casos que são hoje mais problemáticos, a dívida portuguesa deverá atingir 89,2% do PIB em 2026, segundo a Comissão Europeia, um patamar que ainda merece vigilância.
No restantes países do Euro com dívidas elevadas ou muito elevadas — Grécia (142,1% do PIB), Itália (137,9%), França (118,1%), Bélgica (100,9%), Finlândia (90,9%) e Áustria (82,8%) — todos estão a corrigir os desequilíbrios de forma estrutural (Itália, Áustria, França e Finlândia) ou, pelo menos, a ter uma evolução menos negativa do que Portugal (os outros três países).
O destaque neste grupo de dívidas elevadas vai para a Finlândia (menos 0,5% do PIB de despesa líquida do que a meta europeia) e França (menos 0,4%). Estes dois países apresentam o maior esforço de contenção estrutural face às recomendações de Bruxelas, ainda que se espere que tenham défices orçamentais na casa dos 4% no próximo ano.
Portugal lidera desvio na despesa líquida entre os mais endividados
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Só seis países do Euro se desviam mais das recomendações orçamentais de médio prazo, no acumulado até 2026. Mas, ao contrário de Portugal, têm todos dívidas públicas baixas.