O ano passado fechou com um superavit de 4,1% do PIB irlandês, uma melhoria em relação aos dois anos anteriores, com 2022 a fechar nos 1,7% e 2023 a ver 1,5% de excedente. E a tendência é para continuar, com o orçamento para 2026 a prever um superavit de 9,7 mil milhões de euros este ano (cerca de 1,5% do PIB) e à volta de 1% do PIB no próximo – isto com um aumento programado da despesa de 7,4%.
Caso estes números se verifiquem, a Irlanda deve registar a segunda melhor performance orçamental do espaço euro, atrás de Chipre, que prevê superavits de 3,4% este ano e 3% no próximo. Já Portugal fica em quarto lugar este ano, com 0,3%, e em terceiro no próximo, com 0,1%, de acordo com as previsões do Governo; a Comissão é menos otimista e aponta a um saldo nulo este ano e um défice de 0,3% no próximo.
“Sabemos que uma elevada dependência [do IRC] é um risco”, reconheceu Pascal Donohoe, ministro das Finanças irlandês, citado pelo ‘Financial Times’. Também o ESRI alerta que “a dependência de receitas fiscais corporativas inconstantes é uma vulnerabilidade” e, dado o seu perfil crescente no orçamento, o défice implícito excluindo esta componente “está a crescer”.
Dublin a caminho do quinto excedente seguido
/
Além do crescimento forte, a Irlanda deve ainda conseguir atingir saldos orçamentais positivos nos próximos dois anos, liderando também nesta vertente o bloco euro. A confirmar-se este cenário, Dublin conseguirá registar cinco excedentes orçamentais consecutivos, um desempenho assinalável e que supera o também elogiado trajeto português.