Mais ofertas de emprego, mais jovens e trabalhadores em idade de reforma com uma vida profissional ativa, mas também mais um terço das vagas nos centros de emprego por preencher e um panorama de salários baixos: estes são alguns dos pontos do Relatório sobre Emprego e Formação de 2025, divulgado esta terça-feira pelo Centro de Relações Laborais (CRL), que traça um mercado laboral em máximos, com participação crescente, mas com uma compressão salarial que, admite o Governo, preocupa.
No ano passado, os centros de emprego registaram um crescimento assinalável de 22,8% nas ofertas de trabalho recebidas, o que perfez 134,1 mil registos e inverteu a tendência de queda registada nos anos anteriores. Os sectores que mais contribuíram para esta performance foram os dos serviços, à exceção dos transportes e tecnologia, sendo que foi também no sector terciário que se registaram mais ofertas, com 99,6 mil.
Também as colocações subiram, estas 12,6 mil mais do que em 2024, o que representa um aumento de 15,7% e um total de 92.876. Comparando com o nível de ofertas, constata-se que 69,2% foram preenchidas, ou seja, mais de dois terços – o que significa também que quase um terço ficou vaga. Recorde-se que nos dois anos anteriores a taxa de colocação havia sido de 73%, pelo que 2025 trouxe um recuo neste indicador.
Esta evolução mereceu elogios da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que falou numa “preocupação muito pragmática de ir ao encontro do que o mercado precisa” e em “muito sucesso em termos de colocação dos formandos”. Além dos dados já mencionados, as ações promovidas pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) abrangeram 609,5 mil pessoas, ou seja, menos 10.630 do que em 2024.
Ainda assim, a ministra reconheceu ainda “algumas fragilidades estruturais para as quais vale a pena olhar”. Uma delas, destaca, é a compressão salarial entre a remuneração mínima e a média, um “fenómeno […] que muito preocupa o Governo”.
“Temos de caminhar para salários ao nível da média da Europa e não sermos ultrapassados por todos os países”, atirou, explicitando o objetivo do Executivo de “promover não apenas o aumento do salário mínimo nacional, mas também do salário médio e o descolamento” em relação à retribuição mínima.
Em sentido inverso, Rosário Palma Ramalho mostrou-se “muito contente” por ver o aumento da participação e emprego nas faixas etárias entre os 16 e 25 anos e, sobretudo, acima dos 65. Na primeira, a população ativa subiu 1,3%, enquanto a percentagem de jovens que não trabalha, não estuda nem está a obter formação, frequentemente referidos como NEEF, desceu para 8% e mantém-se abaixo da média europeia de 11%.
Já no que respeita às populações acima de 65 anos, tanto a participação, como o emprego cresceram 6,4%, um sinal “muito positivo, porque demonstra o envelhecimento ativo, o que gostaríamos todos de ter”, afirmou a ministra.
Ofertas do IEFP sobem 23%, mas um terço fica por preencher
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Portugal está próximo do pleno emprego, com a formação a subir e o part-time a cair, mas persistem desafios, sobretudo nos salários.