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Futebol europeu fatura 40 mil milhões mas riqueza é cada vez mais desigual

Estudo da BCG aponta a um recorde de faturação, mas um quarto dessas receitas estão em vinte clubes e esses emblemas valem metade do negócio das “Big 5”.

A indústria do futebol europeu nunca faturou tanto como em 2025: 38 mil milhões de euros em 2025, um recorde absoluto, de acordo com a estimativa da Boston Consulting Group (BCG), vertida no estudo “The Three Forces Reshaping the Beautiful Game”. No entanto, quase um quarto (11 mil milhões de euros) desta faturação é assegurado por apenas vinte clubes, os mesmos que são responsáveis por metade do negócio das “Big 5”.
E de onde vêm estes 38 mil milhões de euros? O BCG adianta que este valor congrega alíneas como os direitos audiovisuais internacionais, os patrocínios e das novas formas de relação direta com os adeptos, que acabam por concentrar um proporção crescente de valor num grupo limitado de clubes e de competições. Além disso, este novo recorde de faturação também foi provocado pela implementação de novos centros de investimento fora da Europa, a aceleração do desenvolvimento comercial do futebol feminino e ainda a transformação dos modelos de distribuição e consumo resultantes do streaming.
Apesar da faturação recorde, o estudo adverte que a sustentabilidade financeira é um dos grandes desafios do setor. “Apenas metade dos clubes europeus de primeira divisão opera com lucros e o aumento dos custos salariais e das contratações impulsionaram novas medidas de controlo financeiro”, pode ler-se no estudo que faz menção ainda a um calendário cada vez mais exigente que desgasta cada vez mais os jogadores. E perante esse cenário, a consultora avança com vários cenários possíveis: uma maior concentração de valor nos principais clubes e competições mas também uma cooperação mais eficaz entre ligas e novos limites ao calendário e o estímulo de formatos que fomentem as audiências digitais.
O estudo destaca ainda que a evolução regulatória das plataformas digitais, com destaque para os EUA e Europa, está a estimular e a ampliar o alcance global do futebol e a permitir que o desporto-rei chegue a novos públicos. A BCG dá destaque ao crescimento da indústria do futebol em regiões em que o desporto-rei não era tão próspero. Falamos naturalmente dos EUA, Médio Oriente e África. Estes especialistas focam-se nos mil milhões de dólares investidos por clubes sauditas em apenas uma janela de transferências, o facto de 19 clubes da norte-americana Major League Soccer fazerem parte da lista dos 50 emblemas do futebol mais valiosos do mundo e ainda os mais de cinco mil milhões de dólares de investimento em Marrocos a quatro anos de co-organizar o Mundial de 2030 com Portugal e Espanha.
Outro aspeto interessante relativo ao crescimento do negócio do futebol está relacionado com a indústria do futebol feminino que já assegura receitas perto de 800 milhões de dólares anuais. Esta evolução deverá estar relacionada com o facto de 14 clubes da liga norte-americana de futebol terem alcançado uma valorização conjunta de 2.600 milhões de dólares e que o seu valor tenha subido em média cerca de 180% desde 2023.
Noutro relatório do BCG, designado “Beyond Media Rights: A Whole New Ballgame for Sports”, estes analistas consideram que os direitos audiovisuais vão continuar a ser a principal fonte de receitas para as grandes competições desportivas, mas uma parte dessa valorização estará intrinsecamente ligada à capacidade das ligas e equipas de estabelecerem relações diretas com os adeptos e dessa forma, desenvolver novas fontes de receita que estarão associadas ao comércio, patrocínios, gestão dos dados e as experiências dos fãs.

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