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Falta de mão de obra continua a limitar crescimento

Na construção, continuam a faltar entre 80 e 90 mil trabalhadores e as obras podem atrasar-se. Há “escassez significativa” no turismo, com redução ocasional da atividade. Nos serviços, “algumas áreas” têm dificuldades. “Via verde” recebe elogios, mas não é suficiente.

Numa altura em que o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) entra na reta final, em que os aeroportos se enchem de turistas e várias indústrias procuram não perder gás nas exportações, o crescimento do país continua a ser travado pela escassez generalizada de mão de obra. A economia está ainda muito longe de suprir a falta de mão de obra.
A construção é uma das mais afetadas. “Continua a ser o principal constrangimento ao crescimento do setor”, lamenta Ricardo Gomes, presidente da AICCOPN - Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas. “Estimamos que existam atualmente entre 80 e 90 mil postos de trabalho por preencher”. O problema decorre do “envelhecimento da força de trabalho, da reduzida entrada de jovens nas profissões da construção, do aumento da procura provocado pelo elevado volume de investimento público e privado e da forte concorrência internacional por trabalhadores qualificados”, diz ao JE.
“A falta de mão de obra condiciona a capacidade de resposta das empresas, aumenta os prazos de execução das obras, eleva os custos e limita a capacidade do setor de acompanhar o volume de investimento atualmente em curso”, explica o líder da AICCOPN, que realça o “ciclo histórico de investimento” no país, que inclui habitação, ferrovia, energia, PRR, entre outros.
O responsável alerta, por isso, que se a mão de obra não aumentar rapidamente, “há o risco de comprometer a velocidade de execução destes investimentos”, com impactos na economia.
Também o turismo, apesar de não ter uma estimativa exata dos trabalhadores em falta, continua com “escassez significativa de mão de obra, sobretudo em algumas regiões e em determinadas épocas do ano”, sublinha o presidente da Confederação do Turismo de Portugal ao JE, afirmando que é “um dos seus principais desafios”. Há vagas “em todo o país, com particular incidência no Algarve”. Calheiros nota que a procura turística não está a ser travada, mas “limita a capacidade de resposta das empresas, obrigando por vezes à redução de serviços, ao encerramento sazonal de espaços ou à sobrecarga das equipas”. O problema “é estrutural” e com o aumento da procura “tende antes a intensificar-se do que a atenuar-se”.

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