No quarto trimestre fiscal, encerrado no final de dezembro, a Microsoft registou receitas de 81,3 mil milhões de dólares (cerca de 74,8 mil milhões de euros), acima do consenso dos analistas, e um lucro por ação ajustado de 4,14 dólares. A área de Microsoft Cloud, a computação em nuvem, voltou a ser o principal motor, com mais de 50 mil milhões de dólares (41,7 mil milhões de euros) de faturação no trimestre, enquanto o Azure cresceu cerca de 39% em termos homólogos.
No conjunto do ano fiscal, a empresa reportou receitas de 281,7 mil milhões de dólares (235,4 mil milhões de euros) e um lucro superior a 100 mil milhões de dólares (83,5 mil milhões de euros), confirmando um crescimento a dois dígitos tanto no volume de negócios como nos resultados.
Do ponto de vista estritamente contabilístico, a Microsoft continua a apresentar um desempenho que muitas empresas apenas podem ambicionar. São números robustos, difíceis de contestar num contexto macroeconómico ainda marcado por taxas de juro elevadas e maior seletividade no investimento, que superaram as expectativas, mas insuficientes para satisfazer os investidores, que têm mostrado um nervosismo crescente com o que as grandes tecnológicas estão a investir em inteligência artificial.
O mercado reagiu de forma violenta. As ações da empresa liderada por Satya Nadella chegaram a cair 12% na sessão seguinte à divulgação dos resultados, na noite de quarta-feira, 28 de janeiro, e estabilizaram, ontem, com uma queda acima de 10%.
Numa única sessão bolsista evaporaram-se mais de 360 mil milhões de dólares (cerca de 300 mil milhões de euros) de capitalização, o que quase equivale ao produto interno bruto de Portugal.
É uma das maiores quedas da cotação da empresa desde 2020.
Microsoft perde um PIB português num único dia
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Bons resultados foram insuficientes. Os investidores penalizaram a gigante tecnológica pelo arrefecimento do crescimento na IA, que continua a consumir cada vez mais investimento. E pode ser um alerta.