Ofuturo é elétrico para esta marca premium alemã. Depois de um 2024 de quebra, as vendas da Audi voltaram a crescer a dois dígitos: um disparo de 12% para 2.520 unidades em 2025.
Um valor que contrasta com o comportamento das outras marcas premium alemãs: a BMW subiu 5% e a Mercedes-Benz 6%. Já o mercado de ligeiros de passageiros subiu 7%.
“Foi um ano muito bom porque a Audi cresce acima do mercado e está num contraciclo positivo em relação às marcas premium”, disse ao JE Marília Machado dos Santos a nova líder da Audi Portugal.
Os carros eletrificados são a grande aposta da marca, com as vendas destes a pesarem 55% no total, com os elétricos a pesarem 35% e o restante a serem híbridos plug-in que já contam com 120 km de autonomia.
Sobre os apoios à compra de carro elétrico, Marília Machado dos Santos reconhece que a legislação em sede de tributação autónoma tem “vantagens para as empresas”, mas o alívio fiscal poderia ser alargado aos privados, defende. “Somos muito penalizados pela fiscalidade. É preciso criar condições de acessibilidade”.
É preciso ir além do cheque existente para a mobilidade elétrica, que esgota rapidamente. “Se em Portugal temos esta preocupação de pegada ecológica, e estamos a desenvolver toda esta infraestrutura... então porque é que só temos apoios para as empresas? Porque é que não temos apoios para os particulares?” ao nível fiscal, questionou.
Defende assim o regresso de um programa de abate: “Mesmo que as pessoas não troquem já pelo elétrico, podem trocar por um motor a gasolina novo. Com um parque automóvel tão antigo, basta alterar para um modelo atual para a pegada baixar imenso. Os motores a gasolina são muito mais eficientes”,
“Penso que 90% das empresas apostam nos veículos eletrificados. Nos privados, apesar de ser um mercado pequeno, deviam ser criados esses incentivos”, apontou.
E deixou críticas à infraestrutura de carregamento nacional. “Já é boa, mas está muito concentrada em Lisboa e no Porto”.
Sobre a chegada das marcas chinesas ao mercado nacional, a gestora defende que é preciso “respeitá-las”, apesar de não as considerar um “concorrente direto”.
Questionada sobre o alívio das metas europeias para os motores a combustão, sublinha que as “metas continuam lá” e que “não há como voltar atrás, porque todos os construtores adaptaram-se a estas novas exigências e foi muito duro”.
E objetivos para 2030? A ambição é ultrapassar os 3% de quota de mercado, com a venda de 8.000 viaturas.
“Deve ser uma ambição”, defende, rejeitando fazer atalhos. “Para isso, no próximo ano teríamos que destruir valor, destruir marca e ir para canais que não são onde pretendemos estar. Este crescimento tem de ser mais consolidado”, concluiu.
No curto prazo, espera atingir os 2,5% de quota de mercado este ano, face aos 2,3% de 2025. Com 30 anos de experiência no setor automóvel, a gestora ocupava desde 2021 o cargo de diretora-geral da Volkswagen Portugal. Antes, passou pela Citroen e Fiat. Substitui Nuno Mendonça no cargo que passa a diretor de comunicação da SIVA.
Alívio fiscal para incentivar compra de carros elétricos
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As vendas da Audi voltaram a disparar em Portugal. Marca alemã pede mais apoios para as famílias aderirem à mobilidade elétrica.