Skip to main content

Incerteza “tornou-se a certeza” nos mercados e na economia

Com tanta incerteza vivida nos mercados, é fundamental saber trabalhar com o risco e cenarizações. E deixa um aviso. Podem vir aí “algumas surpresas nas políticas dos bancos centrais”.

Nos últimos anos, a incerteza tornou-se uma das expressões na ordem do dia. Desde que o mundo foi atingindo pela pandemia que tudo tem sido muito incerto. E os mercados e a economia não escaparam a esta tendência. Apesar dos elevados níveis de incerteza, a economia resistiu.
“Os níveis de incerteza aumentaram, mas há bastante resiliência em termos económicos”, é o diagnóstico feito pelo presidente-executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, às mudanças globais a nível geoestratégico.
Durante o evento Fora da Caixa, realizado em Sines, Rui Martins, diretor de estratégia da Caixa Gestão de Ativos, reforçou a ideia: “A incerteza tornou-se a certeza de que as coisas vão ser incertas”.
Há um ano, estávamos a falar do “Liberation Day”, o dia em que foram anunciados aumentos das tarifas alfandegárias para as exportações para o mercado norte-americano. Ameaçava alterar substancialmente a economia, “mas todos nos adaptámos e, em termos de crescimento económico, até registámos um crescimento mais robusto do que inicialmente se esperava”, diz Rui Martins.
A economia norte-americana abrandou, mas menos do que se estimava inicialmente. E na zona euro até tivemos um crescimento maior do que inicialmente esperávamos, robusto, em boa parte ajudado pela antecipação das exportações na Europa face às tarifas.
No meio desta incerteza os “agentes ajustaram-se, e tivemos um crescimento no consumo relativamente resiliente e empresas com planos de investimento”, acrescenta.
Incerteza absoluta
As perspetivas para este ano continuam baseadas na incerteza, principalmente depois do conflito no Médio Oriente ter escalado e já ter tido impacto no preço do barril do petróleo. “Caso o preço do barril suba 50 dólares, isso pode fazer a inflação na zona euro acelerar dos 2% para os 3%”, avisa Rui Martins.
O impacto na inflação vai mexer com as taxas de juro dos bancos centrais. O Banco Central Europeu já “reduzido substancialmente” o preço do dinheiro. Agora a questão é quando inverterá o caminho, “Era esperado que mantivesse as taxas estáveis ao longo dos próximos trimestres e, a alterar, seria de subida das taxas diretoras algures em 2027”, diz Martins. Já a Reserva Federal dos EUA, estima-se que volte a descer as taxas nos próximos trimestres. Mas a incerteza impera.
Neste momento, existem “duas forças antagónicas. Por um lado, o que se passa no mercado de energia pode fazer com que a inflação acelere, e o BCE é bastante sensível a isso. Mas, por outro, também há o efeito de impacto, que pode ser substancial, no crescimento económico. “Não se sabe qual das forças poderá ser mais significativa. Mas poderemos ter algumas surpresas nas políticas dos bancos centrais”, diz.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico