Ao longo da semana, os mercados acionistas reagiram ao conflito no Médio Oriente, mas também a uma reavaliação do risco no setor tecnológico, sobretudo no segmento de software, que tinha sido fortemente penalizado nos últimos meses.
Ao contrário das expectativas, os índices norte-americanos mantiveram-se relativamente resilientes, registando apenas quedas ligeiras, suportados pela valorização de ativos como o Bitcoin e de grandes empresas tecnológicas, nomeadamente de software, como a Oracle e a Microsoft.
Após uma queda inicial, ainda que moderada, no dia 28 de fevereiro — ditada pelo início do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão e pela consequente redução da exposição dos investidores a ativos mais arriscados — a Bitcoin recuperou rapidamente na segunda-feira, 2 de março, logo após a abertura de Wall Street.
A subida foi suportada pela valorização do setor de software, permitindo à Bitcoin superar claramente os níveis anteriores ao início do conflito e evidenciando a sua elevada sensibilidade às variações do sentimento de mercado, em particular das empresas tecnológicas.
O comportamento do índice de software norte-americano S&P North American Expanded Technology Software Index, que integra 123 empresas — entre as quais Oracle, Microsoft, Salesforce, Adobe, ServiceNow, Datadog, CrowdStrike, Palantir, Zoom Video, Zscaler, C3.ai, Unity Software e GitLab — evidencia uma evolução muito próxima da da Bitcoin ao longo dos últimos anos, sugerindo que ambos têm reagido de forma semelhante às mudanças no apetite global por risco e nas condições de liquidez, tornando este índice num dos melhores barómetros para perceber a tendência.
A Bitcoin é, na sua essência, também um software, um protocolo de software. Todavia, ao contrário do índice, cuja composição se altera ao longo do tempo — com empresas que desaparecem e outras que surgem com novas soluções tecnológicas — a Bitcoin assenta num protocolo de software específico. Tal como qualquer tecnologia, esse software poderá ser ultrapassado caso surjam alternativas mais eficientes ou com maior aceitação. Assim, enquanto o índice reflete a evolução contínua do setor do software, o comportamento da Bitcoin pode ser interpretado como o desempenho de uma tecnologia concreta dentro desse universo.
Assim, as ações da Oracle recuperaram ao longo da semana, valorizando 10%, como a Bitcoin, acompanhando outras empresas de software e cloud, apesar de persistirem dúvidas sobre a sustentabilidade do avultado investimento em infraestruturas para inteligência artificial e data centers, perante maior endividamento e pressão sobre o cash flow. Já a Microsoft valorizou perto de 4%, refletindo a confiança dos investidores na sua capacidade de monetizar a IA e integrar essas tecnologias nas suas plataformas de cloud e software empresarial.
Bitcoin e software ignoram guerra no Médio Oriente
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Conflito no Médio Oriente e reavaliação de risco provocam mexidas. Produtoras de software recuperam da queda abrupta. Bitcoin também.