A Gr8 Events vai fazer um grande evento corporativo no Porto, dentro de dois meses, para uma multinacional tecnológica alemã. Será marcante. “É o maior evento no Porto dos últimos 10 anos”, garante ao Jornal Económico (JE) o CEO da produtora portuguesa, Francisco Serzedello.
Nesta iniciativa, reflete-se a evolução do mercado português: uma empresa portuguesa demonstra capacidade competitiva ao vencer a corrida para a produção de um evento corporativo de grandes dimensões de uma multinacional em Portugal.
A base é mesmo a capacidade competitiva. Foi distinguida como rising star, a primeira agência portuguesa consagrada como o melhor lançamento de eventos e do marketing de experiências a nível mundial. “A Gr8 só tem cinco anos, mas, ainda assim, desde o seu segundo ano que está sempre no top 100 mundial”, diz Francisco Serzedello, que dá o exemplo de um evento produzido para a Caixa Geral de Depósitos que foi premiado nos Estados Unidos pelo desenho do palco. “Estamos a concorrer com as maiores empresas do mundo e uma empresa portuguesa, a operar em Portugal, com clientes portugueses, consegue rivalizar a nível de criatividade e execução com as maiores empresas mundiais”, aponta. “Isso enche-nos de orgulho”, afirma.
Há dois anos, a Gr8 Events transformou-se, passando a ser também uma Destination Management Company. “O que nós passámos a fazer foi a investir ainda mais e a pôr mais esforço na angariação de grandes eventos e a trazê-los para Portugal”, diz Serzedello.
Ser parte do grupo da Olivedesportos e da Cosmos ajuda à projeção.
Este grande evento planeado para o Porto é resultado deste posicionamento, mas não é único. A empresa foi a responsável pela criatividade da 64ª edição do congresso da Associação Internacional de Congressos e Eventos, que reuniu os principais players do setor dos congressos e eventos, no final do ano passado, também no Porto, e organizou, com a Federação Portuguesa de Futebol, a primeira edição do Portugal Football Summit, na Cidade do Futebol, em Oeiras.
Para ser capaz de responder a estes eventos de maior dimensão, a forma de trabalho alterou-se. Mais uma vez, o exemplo do evento que decorrerá em abril. “O processo começou há dois anos, ganhámos no ano passado e vamos fazer este ano”, conta. “Significa que as equipas que nós temos e que estavam habituadas a produzir só para aquele ano, em 12 meses, agora estão a produzir para um, dois ou três anos”, acrescenta.
A inovação tecnológica também é determinante e já contribuiu para que fosse premiada. “Temos um departamento interno de inovação”, explica o CEO da empresa.
Criada em plena pandemia de covid-19, a Gr8 Events duplicou de faturação anualmente, durante os primeiros três anos, com o correspondente aumento dos recursos humanos. Continua a crescer, mas a taxas mais moderadas, de cerca de 30%. “Consolidar a posição”, afirma Francisco Serzedello. Foi essa a opção de desenvolvimento, o que permite manter a mão no leme e aproveitar a “clara expansão” do mercado.
“O mundo mudou e cada vez mais as empresas têm necessidade de passar a sua palavra para todos os seus colaboradores e para todos os seus clientes e parceiros. Cada vez mais as pessoas trabalham digitalmente, trabalham deslocadas, a cultura das empresas é menos forte e é preciso trabalhá-la mais”, diz Serzedello. A solução passa pela criação de “experiências que transmitam a cultura da empresa, os valores, os objetivos”.
Portugal está bem posicionado para aproveitar este crescimento, mas limitado pela falta de estruturas, porque cada evento não é só o acontecimento em si, mas também a série de iniciativas de menor dimensão que se multiplicam.
“Nós só não temos mais eventos porque não temos capacidade, não temos espaços grandes o suficiente para aquilo que são os grandes eventos internacionais”, diz. “Não temos, não há infraestruturas, não é possível”, reforça.
Adaptação para captar eventos corporativos para Portugal
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O objetivo da Gr8 Events é tornar Portugal uma opção óbvia como destino de grandes eventos. Tem a capacidade criativa, premiada, e experiência. O vento do mercado está de feição. Só faltam mais e maiores estruturas.