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Empresas aplaudem apoios, mas alertam para custos com juros

Empresários pedem celeridade nas medidas e realçam que apoios anteriores ainda estão a ser pagos, agravando custos das empresas.

Face aos estragos avultados causados pela tempestade Kristin, o Governo avançou com uma série de linhas de apoio para os empresários, medidas que foram bem recebidas, mas com pedidos de celeridade. Com linhas passadas associadas à pandemia ainda a pagamento e um aumento dos custos com a subida dos juros associados a empréstimos passados, as preocupações das empresas não terminam com a chegada destes apoios, explicam as associações empresariais.
A situação é “excecional”, pelo que “o país deve responder com medidas de carácter igualmente excecional”, começa por referir ao JE o presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro, que elogia a resposta “em múltiplas frentes, refletindo a experiência adquirida com os instrumentos mobilizados durante a pandemia”. No entanto, os apoios mobilizados só ajudam com os impactos imediatos, “representando endividamento no médio e longo prazo”.
“Como já tivemos oportunidade de referir, seria muito relevante, à semelhança do que aconteceu no período da pandemia, assegurar que estes instrumentos de financiamento considerem a componente de reforço da capitalização das empresas, devendo o Banco Português de Fomento ser parte ativa deste processo”, completa.
Os empresários estão ainda a pagar uma série de outros empréstimos associados a linhas de emergência que, com a subida dos juros diretores nos últimos anos, aumentaram a pressão na sua estrutura de custos, alerta Jorge Pisco, presidente da Confederação das Micro, Pequenas e Médias Empresas de Portugal (CPPME). Um exemplo é a tempestade Leslie, em 2018, cujas prestações ainda estão a ser pagas, elenca.
“Não é com linhas de crédito que se ajuda as empresas numa situação de calamidade como neste momento. Precisamos de apoios a fundo perdido para as empresas”, urge, lembrando as “enormes dificuldades” vividas pelo pequeno comércio.
Outro exemplo são as linhas de crédito Covid. Basta ver que as empresas de alojamento e restauração tinham um endividamento na ordem dos 12,5 mil milhões no final de dezembro de 2019, antes da pandemia. Mas no final de 2024, a dívida aumentou em 3,8 mil milhões (mais 31%) para 26,3 mil milhões. No verão do ano passado, a associação do setor da restauração ( AHRESP ) alertou mesmo que 30% das empresas destavam a falhar o pagamento das linhas de crédito da pandemia devido ao aumento dos custos do negócio com a quebra da procura e o aumento da inflação.

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