Skip to main content

PRR está “a aquecer o mercado”

Os prazos apertados e a falta de mão de obra contribuem para tornar os preços da construção ainda mais elevados, avisa o presidente da comissão de acompanhamento do PRR.

O Plano de Recuperação e Resiliência, aponta Pedro Dominguinhos, tem múltiplas vantagens para o país, mas o responsável por acompanhar a sua execução reconhece que “o próprio PRR está a aumentar o preço-base das obras”, devido à “pressão do tempo e a falta de mão de obra”.
Em entrevista ao Jornal Económico, o economista admite que “está a aquecer o mercado – é verdade – em vários setores”. Em primeiro lugar, “o da construção, nos preços base” e, indiretamente, os custos finais da habitação. Uma pressão que se junta a “outros fenómenos que não derivam do PRR”, como “a atração de residentes não habituais” ou o turismo.
E os próximos anos não vão trazer melhores notícias neste aspeto: “Depois do PRR, será que vai haver algum ajustamento no custo de construção? Tenho sérias dúvidas”, afirma o presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento, porque “o pipeline de obra pública e privada é tão elevado que dificilmente haverá um retorno no curto prazo”, tendo em conta “as condições económicas que se conhecem hoje”. Aconteceu, por exemplo, com o preço do aço, em que “apesar de ter havido uma redução face ao pico, não baixou para valores anteriores à invasão da Ucrânia – muito longe disso”. É uma “alteração estrutural”.
Nalguns casos, “será que, se não fosse o financiamento PRR, as entidades públicas fariam aquelas obras?”, questiona Pedro Dominguinhos. “Estamos a aceitar custos que, em condições normais, não aceitaríamos, porque temos uma pressão do prazo”, tendo de terminar a execução a 31 de agosto na esmagadora maioria dos investimentos previstos.
A concorrência por mão de obra não se restringe, ainda por cima, ao território português, uma vez que outros PRR europeus estão a exigir mais mão de obra. Há um problema de “escassez no mercado europeu da construção” que “cria pressões adicionais”.
Em contraponto, o PRR “permitiu testar muitas soluções e garantir que, do ponto de vista económico, elas são rentáveis e sustentáveis”, como a construção modular: “Não tenho a mínima dúvida de que vamos conseguir mais rápido e em maior número dar respostas na habitação. Mais barato já tenho dúvidas”.

Este conteúdo é exclusivo para assinantes, faça login ou subscreva o Jornal Económico