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Como encurtar 10% na viagem entre os EUA e África? É voar para Lisboa

Aviação : Lufthansa quer tornar Lisboa o hub europeu de viagens entre os EUAe África. Aposta no Brasil é para manter. Alemães querem mais voos intercontinentais da TAP no Porto.

Lisboa é o melhor atalho europeu para chegar mais rapidamente dos EUA a África. E vice-versa. A viagem fica mais curta em 10% via Portugal, o que significa poupança de tempo para os viajantes e poupança de combustível para as companhias aéreas.
É esta a visão da Lufthansa para a TAP, com os alemães a considerarem que Portugal é crucial para os voos intercontinentais, o que torna a companhia aérea ainda mais apetecível para ser comprada.
“Podemos ligar a América do Norte via Lisboa para a África lusófona. É a distância mais curta. É a vantagem de Lisboa”, disse Tamur Goudarzi-Pour, administrador executivo da Lufthansa.
“A ligação para a América do Norte é 10% mais curta” via Portugal face a outros hubs europeus. “É uma vantagem estratégica”, segundo o gestor alemão.
“Podemos ligar todos os hubs via Lisboa para a América do Sul”, acrescentou esta semana.
Oencontro teve lugar durante uma visita de jornalistas portugueses à sede da Lufthansa no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, com direito a uma aterragem em direto, inesperada, de um avião da TAP. “É um sinal” de que a Lufthansa pode vir a ficar com a TAP, comentou Martin Leutke, vice-presidente de comunicações da Lufthansa.
Superstições à parte, a companhia também pretende instalar uma escola de pilotos de caças em Portugal, tendo concorrido a um concurso do Ministério da Defesa da Alemanha para esse efeito. Outro investimento em Portugal é a unidade de manutenção e reparação da Lufthansa Technik em Santa Maria da Feira, distrito de Aveiro, num investimento de 300 milhões de euros, que está em fase de arranque.
Presente há 70 anos em Portugal, a Lufthansa conta com mais de 300 voos semanais entre os dois países, mais de 400 trabalhadores no país e 700 novos postos de trabalho até 2027 com a Lufthansa Technik.
É a segunda maior companhia aérea da Europa por passageiros e a quarta maior a nível global por receitas.
A companhia alemã diz que tem um registo histórico de aumentar o número de lugares disponíveis em 15% a 20% quando compra uma empresa. “Isto mostra que não desinvestimos”.
Para o futuro da TAP há três mercados chave, todos do outro lado do Oceano Atlântico: Brasil, Estados Unidos da América e Canadá.
Sobre a questão de ter maioria ou não na TAP, o que não está previsto nas regras atuais, defende que prefere um maior controlo. “Preferimos um caminho para a maioria, mas não vamos sair fora neste ponto. Continuamos no processo. É sempre a nossa preferência ficar com a maioria”.
Em relação ao modelo de gestão, defende que a a Lufthansa precisa de ter uma “palavra substancial na gestão. Queremos garantir que a TAP tenha sucesso no futuro. Para isso é preciso certas capacidades de gestão. Isto é importante para nós”.
Questionado se o preço vai ser afetado pela atual guerra no Médio Oriente, destacou que a oferta vai refletir uma “visão de longo prazo”, que terá de ser “sustentável”, tendo em vista uma “colaboração estratégica”.
No entanto, se houver “mudanças estratégicas”, a Lufthansa vai ter que “internalizar” os custos. Todavia: “isso não significa que vamos cortar para a crise do Irão”, apesar de reconhecer que já há efeitos na indústria da aviação. “Não sabemos qual a dimensão, mas já há uma crise”, admitindo que seja “estrutural”. “Vamos ver como a indústria se vai desenvolver”.
Mas toda esta questão será alvo de maior análise durante a due dilligence que terá lugar entre abril e julho, antes de ser apresentada a proposta vinculativa. “Não me focaria apenas no preço, mas sim na perspetiva futura da companhia aérea”, defendeu o administrador da Lufthansa.

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