Quando se fala em fundações a memória coletiva tende a fixar-se em meia dúzia de nomes históricos. São referências incontornáveis, mas insuficientes para explicar a realidade de um setor que continua a crescer. “Existe um défice de comunicação. As fundações fazem um trabalho essencial, mas de forma muito discreta. Isso cria a perceção de que existem poucas ou que estão distantes da vida das pessoas”, lamenta Ricardo Garcia, Secretário-geral do Centro Português de Fundações.
O responsável diz ainda estimar que, em 2025, tenham sido criadas 30 novas fundações em Portugal, sendo que, no total, rondam as 600. “O património mínimo é de 250 mil euros; por isso, se multiplicarmos este valor pelo número de fundações, o montante cifra-se em cerca de 150 milhões de euros”. Contudo, Ricardo Garcia diz que este valor será maior, uma vez que há fundações com dotações patrimoniais superiores. Em 2019, o jornal de Notícias estimava 80 milhões anuais, o responsável não confirma estes montantes, mas adianta que está a ser realizado um estudo nacional.
Em 2012, o setor passou por um momento crítico quando o Governo de Passos Coelho levou a cabo uma avaliação profunda das fundações, onde 230 acabaram por fechar portas, com medidas de extinção, redução ou fim dos apoios. Algo que deixou marcas e desconfiança neste tipo de organização. Ricardo Garcia, diz que esse tempo já passou e que a exigência sobre o setor tem aumentado. “Doar já não chega;. As pessoas querem perceber que projetos estão a ser apoiados, que resultados estão a ser alcançados e como o capital está a ser utilizado.” Mas o setor já tem provas dadas com casos de sucesso, como a Fundação Calouste Gulbenkian, Champalimaud, Oceano Azul, Francisco Manuel dos Santos, entre outras.
Contudo, surge a questão: o que motiva um CEO a criar uma fundação? “A criação da Fundação Pedro Queiroz Pereira representa mais um passo no reforço do compromisso da Semapa com a criação de valor para a sociedade e para as comunidades onde atuamos. É também uma forma de honrar o legado ímpar do Pedro Queiroz Pereira, dando continuidade à visão e aos valores de integridade e generosidade que marcaram a sua vida”, explica Ricardo Pires, CEO do grupo Semapa, acrescentando que “com a Fundação Semapa-Pedro Queiroz Pereira, procuram não apenas homenagear a memória do fundador, mas também contribuir, de forma duradoura e responsável, para a construção de um futuro mais justo, mais qualificado e mais promissor para todos”.
A criação da Fundação Mestre Casais também nasce de um propósito humano: dar continuidade a um legado construído ao longo de décadas e também para retribuir à sociedade tudo aquilo que tornou possível o crescimento da empresa. É uma forma de honrar o fundador, mantendo vivos os seus valores de responsabilidade, proximidade e compromisso com as pessoas e com a comunidade. “Crescer implica também saber devolver”, acredita António Carlos Rodrigues, CEO da Casais e é essa visão que sustenta a existência da Fundação. “Trata-se de transformar sucesso empresarial em impacto positivo, colocando o conhecimento, a inovação e a capacidade de agir ao serviço da sociedade”, afirma o CEO.
Neste sentido, a Fundação Mestre Casais assume como missão promover a sustentabilidade humana e ambiental, contribuindo para uma sociedade mais informada, equilibrada e preparada para os desafios do futuro. Fá-lo através da investigação, da inovação e da partilha de conhecimento, incentivando soluções que melhorem o bem-estar, a saúde e a relação entre o ser humano e o ambiente construído.
Em 2025 nasceram (no silêncio) 30 novas fundações em Portugal
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Fundações : Setor reforça peso na economia, apesar de baixa visibilidade. A Semapa e o grupo Casais surgem como dois novos exemplos de aposta em valor social e estratégico.