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Preço do petróleo faz disparar lucros da BP, Shell e TotalEnergies

Com o preço do petróleo em alta quem mais beneficia são as petrolíferas europeias, com os lucros a dispararem mais de 40%. Já nos Estados Unidos, as gasolineiras estão a ser prejudicadas pela guerra.

Omaior impacto económico da guerra até agora tem sido a subida dos preços da energia. Cerca de um quinto do petróleo e gás mundial é transportado através do Estreito de Ormuz, mas esses envios praticamente pararam no final de fevereiro. O resultado foi uma montanha-russa nos mercados energéticos, com algumas das maiores empresas mundiais de petróleo e gás a beneficiarem disso.
Os preços do petróleo já mais que duplicaram desde o início do ano. O barril de Brent rondava os 60 dólares na abertura de 2026, antes de subir para perto dos 70 dólares em fevereiro e, no final de abril, atingiu máximos de cerca de quatro anos, tocando nos 126 dólares por barril.
Os principais vencedores foram os gigantes petrolíferos europeus, que possuem divisões de trading e, por isso, conseguiram lucrar com as fortes oscilações de preços. Os lucros da BP dispararam para 3,2 mil milhões de dólares (2,71 mil milhões de euros) nos primeiros três meses do ano, após aquilo que classificou como um desempenho “excecional” da sua divisão de trading.
A Shell também superou as expectativas dos analistas ao reportar um aumento dos lucros do primeiro trimestre para 6,92 mil milhões de dólares (5,87 mil milhões de euros)
Outro gigante internacional, a TotalEnergies, viu os seus lucros crescerem quase um terço, para 5,4 mil milhões de dólares (4,58 mil milhões de euros) no primeiro trimestre de 2026, impulsionados pela volatilidade dos mercados de petróleo e energia.
Segundo o analista Oliver Roth, “os mercados bolsistas esperam que a cimeira entre Donald Trump e Xi Jinping conduza a discussões produtivas, particularmente sobre a abertura do Estreito de Ormuz. Esse é o ponto central da questão e aquilo que mais preocupa os mercados do ponto de vista económico. A esperança é que seja encontrada uma solução que possa depois ser implementada também com o Irão”.
As equipas de negociação tendem a ter melhor desempenho em períodos de volatilidade, quando podem lucrar com a compra e venda de petróleo e produtos refinados a diferentes preços entre mercados.
A força das mesas de negociação da BP, Shell e TotalEnergies em tempos de crise é um “fator diferenciador importante” para as empresas europeias e uma “vantagem competitiva”, afirmou Kim Fustier, analista do HSBC.
Os investidores recompensaram a força da negociação das grandes petrolíferas europeias. Desde o início do conflito, no final de fevereiro, as ações da BP e da Total subiram 12% e 21%, respetivamente. As ações da Shell, mais exposta a uma queda na produção do Golfo devido a ataques a instalações, subiram 9%.
Em contraste, os títulos da Exxon caíram mais de 4% no mesmo período, enquanto os da Chevron subiram apenas 2,7%.
Esta divergência reflete parcialmente diferenças contabilísticas. Ao contrário dos seus pares europeus, a Exxon e a Chevron foram obrigadas a reportar perdas no primeiro trimestre ligadas a posições de cobertura, porque as regras contabilísticas dos EUA exigem que os derivados sejam avaliados a preço de mercado, em vez de serem mantidos a um valor estável até à entrega dos carregamentos físicos de petróleo. “Isto é apenas uma questão de timing”, disse o CEO da Exxon, Darren Woods. “Registamos metade do negócio e não a outra metade. Quando os físicos forem entregues e isso entrar nos resultados, isso irá compensar o efeito contabilístico.”
No caso das petrolíferas norte-americanas, algumas das maiores empresas registaram quedas nos lucros entre os 30% e os 50%. Segundo analistas de mercado ouvidos pela agência Reuters as petrolíferas dos Estados Unidos continuam muito dependentes da extração tradicional de petróleo bruto e não estavam tão preparadas para uma situação como a atual.

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