O setor da distribuição é um dos afetados quando há conflitos geopolíticos ou crises, como aconteceu durante a Covid-19. Em ambos os casos, o comércio de proximidade é um dos que ganha, uma vez que as pessoas optam por ir fazer as suas compras a um local mais perto de casa e que tenha o essencial, sem dar muito espaço a compras desnecessárias.
É nesta proximidade que entra o Aqui é Fresco, uma rede de mercearias de proximidade, que agrega cerca de 650 supermercados e minimercados espalhados por todo o território nacional e que fatura acima dos 500 milhões de euros. Ao Jornal Económico (JE), Carla Esteves, diretora executiva da cooperativa de grossistas e retalhistas Unimark, refere que estas situações são um “desafio”, mas que para o comércio de proximidade geram “também uma grande oportunidade”.
“Por norma estes acontecimentos geram uma contração ao consumo, e automaticamente as famílias dispõem de menos dinheiro e preferem ir à loja de proximidade comprar diariamente aquilo que realmente lhes faz falta, do que ir depois a uma grande loja que tem sempre as compras de impulso, portanto vai gerar muito mais fluxo diário”, afirma.
Apesar de prever um crescimento do consumo nas lojas de proximidade, a diretora executiva revela que é esperado na mesma um aumento dos preços devido à crise energética, dos combustíveis e das matérias-primas, fatores que impactam o custo do produto.
Contudo, apesar deste aumento “ainda é possível este comércio ser competitivo nos preços”, diz recordando que “antigamente havia uma noção de que o preço praticado pelas mercearias era ligeiramente mais alto do que nas grandes superfícies, mas atualmente já há consciencialização de que têm de acompanhar o mercado”.
Para tal esta cadeia de lojas recorre aos folhetos, onde apresenta os produtos em destaque e os seus preços. “Quando lançamos o folheto Aqui é Fresco para o mercado, garantidamente, que estamos com um preço super equilibrado a nível médio”, refere.
Visto como uma solução para não fazer gastos desnecessários, o comercio de proximidade enfrenta “muita competitividade”, principalmente do comércio que está ao abrigo de uma rede de lojas. A marca concorre com marcas associadas a grandes cadeias do retalho, o que a pode colocar em alguma desvantagem, mas a proximidade destas lojas continua a ser um dos pontos a favor. “Os grossistas conhecem muito bem o seu cliente, vão visitar as lojas, sabem as necessidades e o sortido das lojas, e ajudam os clientes”, declara.
Nascida durante uma crise, em 2011, a cadeia de lojas de proximidade conseguiu juntar antigas mercearias e criar a sua rede, que tem vindo a aumentar o seu número de lojas associadas a crescer, sendo esperado que este ano o número continue a crescer. “A estratégia passa por identificar e atrair novos retalhistas que queiram integrar uma rede estruturada, sem perder a sua autonomia, beneficiando da escala, das negociações centralizadas e das campanhas promocionais da insígnia”, salienta. Para festejar o aniversário a marca vai organizar a sua convenção, no final deste mês.
Comércio de proximidade pode ganhar com conflito no Médio Oriente
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A rede de lojas de proximidade Aqui É Fresco ambiciona crescer com as oportunidades trazidas pela mundança de consumo provocadas pela crise geopolítica.