Não existe uma cultura de filantropia em Portugal: há falta de confiança nas instituições sociais, poucos incentivos fiscais para os doadores e uma forte crença no Estado Social (dependência?). “É quase pecado anunciar que se doou”, diz Inês Sequeira, CEO e cofundadora da Rede Capital Social, uma plataforma nacional que reúne empresas, consultores e sociedade civil para desenvolver iniciativas de filantropia. A saúde, a educação e a proteção social são vistas como responsabilidades coletivas, financiadas pelos impostos”, acrescenta a CEO da Rede Capital Social.
De facto, Portugal surge na 97.ª posição entre 101 países no World Giving Report 2025, da Charities Aid Foundation, organização que, desde 2009, analisa os hábitos de doação no mundo. O país aparece, assim, no final da tabela, classificado como pouco generoso. Em média, as doações representam apenas 0,45% do rendimento disponível. Em parte, porque os países com rendimentos mais elevados tendem a doar menos, (apenas 0,7%), enquanto os mais pobres doam mais do dobro. Portugal está ao nível de países como a França e abaixo da média europeia, num continente que, em termos relativos, é o menos generoso do mundo. “A desconfiança em relação às organizações é outro fator relevante: “Para onde vai o meu dinheiro? Será realmente investido a favor dos mais necessitados?”, questiona Inês Sequeira.
Portugueses doam pouco e são discretos
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O País é um dos menos generosos do mundo e as doações representam apenas 0,45% do rendimento disponível. Em 2024, cada português doou, em média, 30 euros.