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Portugal abre canal ‘panda bonds’ para aceder à China

Emissão de obrigações em moeda chinesa foi cara relativamente às emissões em euros, mas benéfica em termos de alargamento da base de investidores. CEO do Bank of China em Portugal diz ao JE que a operação deu a conhecer o país ao mercado chinês.

Portugal tornou-se esta quinta-feira o primeiro país da zona euro a emitir dívida pública em moeda chinesa. Mais do que vantagens imediatas de financiamento para o Estado português, a operação foi desenhada com os olhos postos no futuro, ao permitir entrar no terceiro maior mercado mundial de obrigações.
O IGCP – Agência de Gestão da Tesouraria e Dívida Pública emitiu obrigações a três anos no valor de dois mil milhões de renminbi (cerca de 260 milhões de euros), tendo pago um cupão de 4,09%.
“Isto marca a primeira emissão ‘panda’ de sempre por um soberano da zona euro e apenas a terceira na Europa para ter acesso ao mercado onshore na China”, referiu a instituição liderada por Cristina Casalinho, em comunicado.
“Com esta transação bem sucedida, Portugal entrou no terceiro maior mercado de obrigações no mundo para diversificar a base de investidores”, salientou.
O apetite dos investidores foi grande, “refletido nas ordens substanciais submetida no leilão pelo grupo vendedor”, sublinhou o IGCP.
A procura superou a oferta em 3,165 vezes, “permitindo reduzir a taxa marginal três vezes, de 4,35% para 4,09%, e permitiu ao emitente fixar um preço perto do patamar mais baixo do preço inicial indicativo e 74 pontos base acima do equivalente na curva do China Development Bank”.
No entanto, fonte dos mercados destacou ao JE que a uma taxa de juros de 4,09%, o Estado português irá pagar 10,634 milhões de euros por ano e 31,9 milhões ao longo de três anos com esta emissão, numa altura em que os juros das emissões em euros a três anos estão negativos em -0,24%.
O antigo presidente do IGCP João Moreira Rato, em declarações ao Jornal Económico, realça que a emissão “pode ser boa” para Portugal. No entanto, reconhece que “a taxa é muito elevada”, ainda que considere que apenas após a “cobertura cambial é que será possível comparar”. Para Moreira Rato, “a cobertura do risco cambial não deve ser fácil”.
“Penso que há uma vertente política da transação”, diz, ressalvando, no entanto, que Portugal “percepciona o potencial para o futuro que esta operação tem ao diversificar a base dos investidores ao ser o primeiro país da zona euro” a fazê-lo. “Permite entrar um mercado muito grande.”
Na Europa apenas a Polónia e Hungria já tinham avançado com a emissão de panda bonds em 2016 e 2017, respetivamente.
Os joint lead underwriters na transação foram o Bank of China e o HSBC, e o Caixa Banco de Investimento foi o financial adviser.

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